Craig Biddle

Editor-presidente do The Objective Standard.

Escreveu diversos livros e artigos sobre temas como Objetivismo, filosofia, ética e política

Confira todos os artigos do autor no site do The Objective Standard.



A BELEZA DA ÉTICA DE RAND


Ayn Rand era contra a moral do autossacrifício, a qual é inerente a muitos sistemas filosóficos, e a todas as religiões. Em vez disso, ela defendia uma moralidade do autointeresse – a ética objetivista – a qual, como ela explica em seu ensaio Causality Versus Duty (Causalidade Contra o Dever), é aptamente resumida pelo provérbio espanhol “Deus disse: pegue o que você quiser e pague por isso”.

Rand era ateia, então seu uso de “Deus” aqui é metafórico. Por ‘Deus disse’ ela quer dizer “a realidade dita”; ela se refere à imutabilidade do fato que se você quer alcançar um efeito (um fim), você deve ordenar suas causas, isto é, os meios para tal fim. Esta é a lei da causalidade aplicada aos valores humanos. Nossos valores – quer seja uma maravilhosa carreira, um relacionamento romântico, boas amizades, hobbies que enriquecem a vida ou a liberdade política – não nos vêm automaticamente, nem os perseguimos automaticamente. Se nós desejamos essas coisas, devemos escolher agir por certos modos, e não por outros. É assim que a realidade é. Esse princípio é absoluto. “Deus disse”.

“Pegue o que você quiser” refere-se ao fato de que os valores humanos são escolhidos. O reino dos valores humanos – o reino da moralidade – é o reino da escolha. Uma moralidade apropriada não diz respeito a mandamentos divinos (não há Deus) ou imperativos categóricos (não há tal coisa) ou deveres (eles não existem). Em vez disso, ela se refere ao que você quer da vida, e o que você deve fazer para conseguir o que você quer.  Uma moralidade apropriada é um conjunto de princípios para guiar suas escolhas e ações em direção a uma vida de felicidade.

É importante notar, tal como enfatizado por Rand, que isso não torna a moral subjetiva. O que promove a vida de uma pessoa é ditado não pelos seus sentimentos divorciados dos fatos, mas pelos requisitos factuais de sua vida e de sua felicidade – dada a sua natureza humana. Assim como um coelho não pode viver e prosperar pulando de penhascos, e assim como uma águia não pode viver e prosperar cavando túneis, então uma pessoa não pode viver e prosperar agindo contrariamente aos requisitos da sua vida.

Nós somos seres complexos de corpo e mente, matéria e espírito, e os requisitos de nossa vida e felicidade derivam de ambos os aspectos desse conjunto integrado. Se desejamos saber quais requisitos são esses, devemos identificar os fatos relevantes. Dada a nossa natureza, precisamos de valores específicos para viver e prosperar. Nós precisamos de valores materiais tais como comida, roupas, abrigo e remédios; precisamos de valores espirituais, tais como amor próprio, autoconfiança, amizades e amor romântico; e precisamos de valores políticos, tais como estado de direito e liberdade política – os quais nos permitem perseguir nossos valores materiais e espirituais. Consequentemente, a fim de viver e prosperar, devemos apoiar e empregar o valor fundamental que torna possível a identificação e a busca de todos os nossos outros valores: a razão.

A razão é nosso meio de observar a realidade, formar conceitos, identificar relacionamentos causais, evitar contradições e formar princípios sobre o que é bom e ruim para nossa vida. A razão é nosso único meio de conhecimento e nosso meio básico de viver. Assim, se nosso objetivo é uma vida de felicidade, devemos ter a razão como um absoluto; devemos ser racionais por uma questão de princípio.

Ser racional não significa nunca errar; humanos são seres falíveis, e erros ocasionais fazem parte da vida. Nem significa reprimir ou ignorar nossos próprios sentimentos; o que não seria racional, pois, sentimentos são tipos cruciais de fatos. Pelo contrário, ser racional significa comprometer-se, por uma questão de princípio, a identificar os fatos disponíveis e relevantes em relação às alternativas apresentadas na vida, a agir de acordo com o seu o melhor julgamento dado aquilo que se sabe em determinado momento e a corrigir quaisquer erros cometidos se e quando forem descobertos.

Sendo assim, “pegue o que você quiser” não significa “siga suas emoções sem respeitar os fatos e a lógica”. Significa use seu julgamento racional para descobrir quais objetivos e cursos de ação resultarão em uma vida de felicidade e aja de acordo com isso. Significa “pegue o que você racionalmente quiser”.

“Pague por isso” refere-se ao fato de que se queremos realizar nossos objetivos, devemos trabalhar para realizá-los, devemos decretar suas causas. Assim diz a lei da causalidade. Isso não é um fardo, mas uma benção: escolher valores e trabalhar para realizá-los – seja uma carreira em programação de computadores, um relacionamento amoroso com a garota ou o cara dos seus sonhos, uma viagem de barco ao redor do mundo ou uma casa de veraneio em Catskills – não é um processo a ser lamentado: é parte e característica de viver uma vida maravilhosa.

Uma moralidade apropriada é uma ferramenta crucial para viver e amar a vida, e a ética objetivista é exatamente tal moralidade. Seus valores de razão, propósito e autoestima – junto com as suas virtudes de racionalidade, produtividade, honestidade, integridade, independência, justiça e orgulho – estão, em conjunto, a serviço desse fim. Eles são nossos meios de pegar o que queremos e pagar por isso.

Essa é a beleza da ética Objetivista.

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Tradução por Breno Barreto

Revisão por Matheus Pacini

Publicado originalmente em The Objective Standard.

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