Roberto Rachewsky



Sim, sou egoísta, obrigado!


As pessoas me chamam de egoísta achando que estão me ofendendo. Pessoal, egoísta para mim é elogio, não ofensa.

Todo ser humano é egoísta, a menos que ele seja irracional a ponto de abrir mão de um valor maior por um valor menor ou não valor. Egoísmo tem relação com autointeresse, o qual, por sua vez, tem relação com o uso da razão.

Egoísmo racional é um modelo moral em que os indivíduos agem para melhorar seu padrão de vida gerando valor no curto, médio e, principalmente, longo prazo.

Egoísmo racional é o oposto de agir para obter ganhos imerecidos sacrificando os outros pela via da força ou fraude. Um egoísta racional não mente, trapaceia ou rouba os outros.

Egoístas racionais são aqueles que movem o mundo através da criação de bens, produtos ou serviços, cooperando e trocando valores de forma livre, voluntária e espontânea com outros como ele.

Egoístas racionais só agem quando percebem a oportunidade de melhorar sua vida, relacionando-se com os outros para benefício mútuo. Quer me ofender? Me chame de altruísta.

Altruísta é o termo criado por Auguste Comte, pai do Positivismo, para caracterizar o seu herói ideal: o indivíduo que se sacrifica para o bem dos outros. Outros, outroísmo, altruísmo, percebem a ligação?

Ocorre que heróis que se sacrificam não são heróis, mas sim mártires (pessoas que se entregam por causas em que elas são a principal vítima). Um herói egoísta racional não defende causas que exigem o seu sacrifício, mas sim que lhe orgulham e o deixam feliz por defender valores tão elevados que o levam, inclusive, a dar a própria vida em nome deles. Um egoísta racional entrega a própria vida quando luta por algo sem o qual viver não faz sentido.

Um altruísta entrega a própria vida por dever e obediência, por não entender que a racionalidade, a produtividade, a honestidade, a integridade, a independência e a justiça são virtudes e que sem elas não há moralidade que sustente a sua existência.

Sou egoísta racional porque, para mim, não há padrão de valor maior do que a minha própria vida e daqueles por quem eu morreria. Chame-me de egoísta tentando me ofender e eu saberei quem você é: alguém que não dá valor à própria vida. Individualismo versus coletivismo nasce desse confronto ético que mantemos em nossa alma. Há objetivistas que levaram décadas para superar essa barreira psicoepistemológica que divide nosso ser.

Você que se diz objetivista só terá realmente certeza disso quando alguém te chamar de egoísta pejorativamente porque você está defendendo moralmente o seu autointeresse e, em vez de dizer: “você não entendeu, isso não é egoísmo”, como quem se desculpa, responder simplesmente: “obrigado, eu sei.”

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Revisado por Matheus Pacini.

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