Coletivismo significa submeter o indivíduo a um grupo – quer seja uma raça, classe ou estado, não importa. Nesta filosofia, o homem é vinculado à ação coletiva ou pensamento coletivo em nome do “bem comum”.[1]

O coletivismo considera que, nas relações humanas, o coletivo – sociedade, comunidade, nação, proletariado, raça, etc – é a unidade de realidade e o padrão de valor. Assim, o indivíduo é real (existe) apenas como parte do grupo, tendo valor apenas na medida em que o serve.[2]

Nessa concepção, o indivíduo não tem direitos, e sua vida e trabalho pertencem a um grupo. E esse grupo pode sacrificá-lo segundo seus próprios caprichos e interesses. A única forma de implementar esse tipo de doutrina seria por meio da força bruta – e o estatismo sempre foi um corolário político do coletivismo.[3]

Fascismo e comunismo não são dois opostos, mas sim duas gangues rivais disputando o mesmo território. Ambos são variantes do estatismo, baseados no princípio coletivista de que o homem é um escravo sem direitos do Estado.[4]

Os coletivistas modernos veem a sociedade como um superorganismo, como uma espécie de entidade sobrenatural separada e superior à soma dos indivíduos que a compõem.[5]

A filosofia coletivista sustenta a existência de um organismo social místico (e imperceptível), enquanto rejeita a realidade perceptível dos indivíduos. Essa perspectiva implica que os sentidos do homem não são um instrumento válido para perceber a realidade. O coletivismo sustenta que uma elite dotada de insights místicos deve comandar a humanidade – o que implica que existe uma fonte exclusiva de conhecimento, um repositório de revelações inacessível à lógica e que transcende a mente. O coletivismo nega que os homens deveriam lidar entre si por meios voluntários, resolvendo suas disputas através da persuasão racional; declara que os homens deveriam viver sob o jugo da força física (imposta pelo ditador onipotente do Estado) – uma posição que descarta a razão como guia e árbitro das relações humanas.

Por todos os aspectos, a teoria do coletivismo aponta para a mesma conclusão: o coletivismo e a defesa da razão são filosoficamente opostos; é um ou outro.[6]

A filosofia política do coletivismo é baseada na ideia de que o homem é essencialmente incompetente, indefeso, uma criatura acéfala que deve ser enganada e comandada por uma elite especial, sedenta por poder, que alega deter uma sabedoria superior, porem inespecífica.[7]

A subjetividade é para a Ética, o que o coletivismo é para a Política. Afirmar que “qualquer coisa que eu faço está correta por que eu escolhi fazê-la” não é um princípio moral, mas a negação da moralidade. Da mesma forma, a ideia de que “tudo o que a sociedade faz é correto por que ela escolheu fazê-lo” não é um princípio moral, mas a negação dos princípios morais e a exclusão da moralidade das questões sociais.[8]

Enquanto poder cultural-intelectual e ideal moral, o coletivismo morreu na II Guerra Mundial. Se ainda seguimos nessa direção, é devido à inércia de um vazio, o momento da desintegração. De um movimento social nascido das enigmáticas construções dialéticas de Hegel e Marx, sobrou apenas um bando de crianças moralmente sujas, esperneando e gritando: “Eu quero agora!”[9]

O coletivismo perdeu as duas armas cruciais que o elevaram ao poder mundial e possibilitaram suas vitórias: intelectualidade e idealismo, ou razão e moralidade. Teve que descartá-los precisamente no auge de seu sucesso, já que sua defesa de ambos era uma fraude: a realidade plena e real dos estados socialistas-comunistas-fascistas demonstrou a irracionalidade bruta dos sistemas coletivistas e a desumanidade do altruísmo como código moral.[10]

O coletivismo não prega o sacrifício como meio temporário para algum fim desejável. O sacrifício é seu fim – sacrifício como forma de vida. É a independência, o sucesso, a prosperidade e a felicidade do homem que os coletivistas buscam destruir.

Observe o ódio histérico com que eles acolhem qualquer sugestão de que o sacrifício não é necessário, que uma sociedade não sacrificial é possível aos homens, ou que esse é o único tipo de sociedade capaz de alcançar o bem-estar do homem.[11]

Os defensores do coletivismo são motivados não pelo desejo de felicidade dos homens, mas pelo ódio ao homem. O ódio do bom por ser o bom. O foco desse ódio, o alvo de sua fúria apaixonada, é o homem de habilidade.[12]

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Tradução de Hellen Rose.

Revisão de Matheus Pacini

Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon

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[1] “The Only Path to Tomorrow,” Reader’s Digest

[2] Peikoff, Leonard. The Ominous Parallels, p. 17

[3] Rand, Ayn. “Racism,” The Virtue of Selfishness,p. 128

[4] Rand, Ayn. “‘Extremism,’ or the Art of Smearing,” Capitalism: The Unknown Ideal, p. 180

[5] Rand, Ayn.  “Collectivized ‘Rights’”, The Virtue of Selfishness, p. 103

[6] Peikoff, Leonard. “Nazism vs. Reason,” The Objectivist.

[7] Rand, Ayn. “Who Will Protect Us from Our Protectors?”. The Objectivist Newsletter.

[8] Rand, Ayn. “Collectivized ‘Rights,’” The Virtue of Selfishness, p. 101

[9] Rand, Ayn. “The Cashing-In: The Student ‘Rebellion’”. Capitalism: The Unknown Ideal, p. 266

[10] Rand, Ayn. “The Cashing-In: The Student ‘Rebellion’”. Capitalism: The Unknown Ideal, p. 269

[11] Rand, Ayn. “Theory and Practice,” Capitalism: The Unknown Ideal, p. 137

[12] Rand, Ayn. “An Untitled Letter,” Philosophy: Who Needs It, p. 102