María Marty

CEO do Ayn Rand Center - Latin America



Como educar jovens livres e independentes


Há uma frase repetida incansavelmente sempre que há uma notícia negativa nos meios de comunicação, cuja missão é resumir a causa de todos os males - seja um roubo, um caso de corrupção ou, até mesmo, de maus-tratos contra animais. A culpa é sempre da falta de educação e, em seguida, surge uma receita mágica para solucionar o problema: mais educação.

Como assim? Todos os dados mostram que vivemos na época de maior acesso ao conhecimento e à instrução na história, seja na educação básica, na universitária ou mesmo em nível de mestrado e doutorado, presenciais ou à distância. Estamos a um clique de quase qualquer informação que desejarmos obter.

Todos os governos do mundo competem para oferecer mais educação. A UNESCO coloca a educação cubana e a venezuelana, respectivamente, na primeira e segunda colocações em número de estudantes matriculados, além de citá-las como exemplo.

Não obstante, essa “quantidade de educação” não se vê refletida na qualidade de vida dos habitantes desses países, muito menos no progresso econômico deles. Todos conhecemos as dificuldades em que vivem cubanos e venezuelanos.

Não estou dizendo que a educação seja irrelevante. Com efeito, estou convencida de que é um fator determinante para o sucesso de país e seus habitantes. Contudo, é necessário diagnosticar o problema real, que não foi e nem é a falta de educação, mas sim a oferta monopolística de educação de má qualidade.

Educar significa oferecer instrução intelectual, moral e social. A raiz da palavra latina ducere significa “guiar ou conduzir”. Mas isso não diz nada acerca do tipo de instrução ou ao destino a que ela nos levará.

Nesse sentido, temos duas alternativas fundamentais:

  • Educar “em série”, de forma uniforme a membros leais ao grupo, apegados às tradições e obedientes às normas e à autoridade.
  • Educar indivíduos empreendedores, racionais e independentes, dispostos a levar a cabo as ações necessárias para alcançar seus objetivos.

São dois tipos diferentes de instrução, cada qual com princípios filosóficos e traços de caráter particulares. Em resumo, opostos por natureza.

Na Argentina, por exemplo, temos um Ministério da Educação que define os conteúdos que todas as instituições educacionais – tanto públicas como privadas – são obrigadas a ensinar a seus alunos, defendendo assim a dieta intelectual que devem consumir em sua idade de formação.

Tal método tem um objetivo claro: é parte da filosofia imperante que coloca a sociedade e o coletivo acima do indivíduo, oferecendo educação homogênea em que todos recebem conhecimentos e valores iguais que o governo do momento deseja transmitir.

Uma dieta intelectual coletivista não busca desenvolver o pensamento crítico, muito menos a curiosidade, a ambição e a individualidade. Ela busca obediência e repetição dos conteúdos estabelecidos.

Aos valores impostos pelo Estado, soma-se uma forte educação religiosa em muitas escolas. Sem menosprezar os valores positivos que algumas religiões reforçam, como o respeito, a generosidade ou a benevolência, há, também, valores negativos que comprometem a busca da liberdade. O mesmo Papa Francisco, com seus discursos contra o dinheiro e em favor da pobreza reforçam traços como abnegação e falta de ambição, apresentando uma falsa dicotomia: ser pobre-bom ou rico-mau.

Como se não fosse o bastante, pais e professores agregam muitas vezes uma boa cota de autoritarismo e superproteção. Damos respostas como “faço o que digo, como digo e por que digo”, as quais só fazem um jovem deixar de questionar e buscar suas próprias respostas. Também tendemos a protegê-los por medo que sofram, sem lhes dar espaço para explorar, arriscar e tomar suas próprias decisões.

Se educamos jovens que não questionam, obedientes, com pouca confiança em suas habilidades para enfrentar a realidade, além de pouca ambição ou individualidade, em que tipo de líder político votarão no futuro? A quem lhes oferecer liberdade ou a quem lhes ofereça proteção? Não é difícil deduzir.

Como fazemos, então, para educar jovens independentes, críticos e empreendedores em todas as instâncias de sua vida? Como os educamos para alcançar suas metas, e viver em liberdade?

Comecemos por esses três pontos:

  1. Competência e liberdade na educação. Todos os seres humanos são diferentes, por isso é fundamental que cada um possa escolher o tipo de educação que deseja. Tirar o monopólio do Estado é um passo fundamental e uma luta política que devemos enfrentar. Educação vem antes que liberdade só no dicionário. Sem liberdade, a educação está condenada a se tornar doutrinamento, e as consequências disso prejudicam a todos.
  1. Ensinar traços empreendedores como perseverança, inovação, coragem, iniciativa, responsabilidade e o momento de enfrentar desafios. Para isso é fundamental criar um clima adequado para o desenvolvimento de uma autoestima sadia.

Carol Dweck, professora de Psicologia da Universidade de Stanford, escreveu: “o modo como você responde a um desafio revela a sua mentalidade e a visão que você tem de si mesmo”.

Se um jovem se sente suficientemente importante para prestar atenção a seus próprios desejos e interesses, se confia em sua habilidade para tomar riscos e decisões inteligentes, e se está convencido de que merece uma vida boa, possivelmente levará a cabo as ações necessárias para conquistar seus objetivos. Ao mesmo tempo, essas conquistas lhe darão uma sensação de orgulho que alimentará e validará sua autoestima criando um círculo virtuoso.

  1. Bons princípios filosóficos. Podemos expor os jovens a todas as ideias filosóficas existentes, mas como educadores nunca deveríamos exigir contradições. Não espere que sejam criativos se lhes ensinamos que a realidade não existe. Não espero que usem a lógica se lhes dizemos que a razão é impotente. Não espere que sejam íntegros ou honestos se lhes ensinamos que os valores são relativos, e que cada quem tem sua verdade. Não espere que busquem um bom trabalho se lhes ensinamos que o dinheiro é sujo.

Se desejam, de fato, jovens que encaram sua vida como uma aventura, prontos a assumir a responsabilidade por ela, então liberdade, autoestima, e uma boa filosofia para viver na Terra são o segredo para tal. E qual melhor que o Objetivismo?

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Tradução de Matheus Pacini

Publicado originalmente por Panampost

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