Roberto Rachewsky



A bola de boliche e o indivíduo


Magnífica entrevista de Tal Tsfany para o caderno DOC de Zero Hora, publicada nesse sábado, 25/05/19.

Entre outras coisas, ele é perguntado se o fracasso do socialismo na prática não decorre da má aplicação das ideias marxistas, como muitos esquerdistas sugerem para continuarem defendendo essa ideologia malévola.

Ele respondeu que não, e deu um exemplo que parafraseio a seguir.

Fazendo uma analogia, filosoficamente perfeita: se a Luciana Genro ou a Manuela D’Ávila pegassem uma bola de boliche e fossem aos Estados Unidos, a Hong Kong, à União Soviética, ao Camboja ou à Venezuela e soltassem essa bola no ar, a bola cairia da mesma forma, em qualquer um desses lugares. Isso porque há um princípio por trás do evento que age sobre aquela entidade, a bola de boliche, fazendo-a chegar ao mesmo resultado, no caso, a força que impele a bola para o chão, conhecida pela lei da gravidade.

A identidade de uma bola de boliche, que é a soma de todas as suas características, faz com que perante o princípio da lei da gravidade, todas elas caiam ao solo. Sempre que uma bola de boliche for jogada ao ar, ela cairá, não importa o tempo nem o lugar.

Pois o mesmo ocorre com o ser humano no que se refere à sua maneira de se comportar frente ao princípio que lhe é aplicado.

Onde quer que haja instituições que usam de coerção contra a vida, a liberdade e a propriedade das pessoas, o ser humano, individual ou coletivamente, estagna, empobrece, torna-se infeliz, ressentido e, por fim, perece.

Onde quer que haja instituições que defendem a vida, a liberdade e a propriedade, o ser humano, individual ou coletivamente, floresce, prospera, enriquece e torna-se feliz.

Quando seus direitos individuais são protegidos, e existe um ambiente de liberdade e respeito pela vida e propriedade de cada um, o ser humano prospera.

Prospera não apenas de forma individual, mas também coletivamente, pois como os indivíduos são desiguais, com vocações e aspirações diferentes, são obrigados, para alcançar a sua máxima felicidade, a serem motivados por seu autointeresse a cooperar mutuamente.

Cooperar para criar, buscar e manter os valores que tornarão esse grau de felicidade possível a todos os que fizerem por merecê-lo.

Quanto menos liberdade para criar, produzir, trocar e manter os valores de que necessitamos, menos felicidade aquela sociedade experimenta.

Quando vocês encontrarem a Luciana Genro ou a Manuela D’Ávila defendendo essa ideia grotesca novamente, de que o problema do socialismo está em sua aplicação (prática), e não em sua ideia em si (teoria), peçam para elas colocarem a cabeça junto ao chão.

Segurem a bola de boliche sobre a cabeça de uma delas e digam que dessa vez a bola de boliche que vocês estão segurando não vai cair, vai flutuar.

Vocês acham que qualquer uma delas vai ficar ali, deitada, esperando que um princípio universal como a lei da gravidade, bem como a natureza e a identidade da bola de boliche, algo mais pesado do que o ar, sejam contrariados?

Duvido!

A natureza do ser humano é racional e o princípio que o ser humano exige para viver como tal é o princípio da não-agressão, caracterizado por um ambiente onde a existência da liberdade e da propriedade é preservada.

O princípio da não-agressão, diferentemente da lei da gravidade, não é dado metafisicamente; ele precisa ser aplicado através da ação humana que visa extrair da sociedade o uso da força, da coerção.

Somente um sistema político aplica tal princípio nas relações sociopolíticas, e esse reconhece a natureza racional do ser humano: capitalismo laissez-faire ou capitalismo radical.

Não somos bolas de boliche, assim como não somos como animais irracionais.

Frente à natureza e às leis que regem o universo, cada tipo de ser reage do seu modo, ou não reage.

Bolas de boliche cairão sempre que forem jogadas ao ar porque são seres inanimados, existem sem ter vida. Pássaros, por exemplo, são dotados de instintos e corpo programados para voarem quando são jogados ao ar.

Nós, seres humanos, não temos asas, não temos instintos, mas ainda assim, por termos a capacidade única de pensar, podemos entender o que precisamos fazer para não cair como uma bola de boliche mesmo não sendo pássaros.

Por sinal, sem asas, sem plumas, sem instintos e pesando mais do que uma bola de boliche podemos voar a velocidades e alturas que nenhum pássaro jamais ousou, porque quando temos liberdade, podemos fazer coisas incríveis.

Socialistas como Luciana Genro ou Manuela D’Ávila acham que sermos tratados como bolas de boliche ou como pássaros nos fará felizes.

Não, a felicidade depende da satisfação dos propósitos e do significado que dermos a nossas vidas.

Isso é individual e intransferível.

Os valores necessários para uma vida feliz dependem da resposta a duas questões: valores para quem e para quê?

As respostas a essas perguntas ninguém pode responder pelos outros, nem eu por você, nem ninguém por mim.

A vida de cada um é única, exclusiva e finita, ninguém tem o direito nem a possibilidade de viver nossas vidas por nós.

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Publicado originalmente em Instituto Liberal.

Revisado por Matheus Pacini

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