Roberto Rachewsky



Por que Joesley e Wesley ficaram bilionários?


Responder que foi graças ao fato de o governo ter-lhes enchido de dinheiro, é uma resposta muito conveniente para quem quer se tornar popular ao contrabandear sua inveja escamoteando-a na declaração. Joesley e Wesley multiplicaram a fortuna que o governo lhes transferiu de uma maneira que ele, o governo, não teria condições de fazer. Os irmãos Batista têm algo que ninguém trabalhando nas autarquias governamentais possui, a saber, tino comercial para a identificação de uma oportunidade para a construção de valor.

Joesley e Wesley não são especialistas apenas em criar gado e vendê-los nas prateleiras dos supermercados. Eles são especialistas em adquirir tudo aquilo que vai lhes proporcionar lucro ou que poderia ameaçá-los com prejuízos. Foi assim que eles compraram o que lhes apareceu pela frente, desde que viesse a gerar-lhes lucro: ideias, empresas e políticos.

Se dedicarmos nossa mente a uma análise dos ingredientes que fizeram o sucesso da dupla, veremos que eles [ingredientes] têm natureza distinta.

Ideias são abstrações que o ser humano pode fazer a partir das observações da realidade, da natureza das coisas e das pessoas, aproveitando a razão e a lógica para identificar, conceituar e integrar aquilo que percebe, com o propósito de definir como agir para superar os desafios que a vida se lhe impõe.

Os irmãos goianos formaram ou compraram empresas, reunindo administradores, financistas, contadores, advogados, marqueteiros, engenheiros, agrônomos, veterinários, designers e outros profissionais para construírem soluções com o propósito de criar valor onde não existia, de modo a oferecer ao público consumidor, nacional e estrangeiro, produtos e serviços que quisesse comprar.

No meio do caminho em direção a um resultado imponderável, os empresários, não se sabe ao certo, se convencidos a fazê-lo ou se proponentes de ação em si, resolveram se associar também àqueles que detêm o poder coercitivo e destrutivo do Estado, os políticos.

Aqui vem a pergunta fundamental: por quê?

Por que Joesley e Wesley, além de terem se associado àqueles cujo conhecimento profissional e ambição pessoal se dedicam à ação de criar bens, serviços e soluções para satisfazer as demandas alheias e lucrar, resolveram se associar aos especialistas na destruição de valor?

Podemos dar a esse questionamento algumas respostas superficiais, por exemplo, por ganância, por imoralidade atávica, ou por pura incompetência. Respostas que não esgotam as dúvidas sobre a questão.

Afinal, todos nós somos em algum grau gananciosos, imorais e incompetentes e, mesmo assim, não somos premiados com o dinheiro expropriado de alguém e nem vamos atrás dele. Bem, pelo menos, falo por mim.

Em minha opinião, a resposta é que Joesley e Wesley entenderam o funcionamento do poder, entenderam a mente dos políticos que o exercem, entenderam a alma e o espírito do governo, e colocaram tudo aquilo que ele [o Estado] tem de nefasto a seu serviço, com o objetivo único de pavimentar seu caminho para o sucesso, a fama e a riqueza.

Quando os donos da J&F decidiram agregar ao universo de profissionais que pensam e trabalham para criar valor, aqueles que pensam e trabalham para destruí-lo, Joesley e Wesley trocaram as virtudes morais que todo empresário, que todo ser humano deve nutrir para construir seu caminho para a felicidade, por aquilo que só a política pode oferecer, a capacidade ímpar de agir imoralmente, destruindo valores, sem se comprometer.

Ocorre que Joesley e Wesley resolveram não pararam por aí. Foram além. Não se contentaram com o sucesso, a fama e a riqueza.

Entenderam que apenas sucesso, fama e riqueza não lhes trariam a felicidade. Era preciso mais. Era preciso purgar a culpa, redimir-se da imoralidade praticada com essas relações escusas que permitiram, com facilidades adquiridas a peso de ouro, conquistar o sucesso, a fama e a riqueza.

Resolveram então, pressionados pelas circunstâncias e conveniências, abrir o tampão daquele inferno subterrâneo para onde foram levados ou se deixaram levar.

Acreditaram que poderiam dar o golpe de mestre, livrar-se daquilo que todos os que praticam um ato de imoralidade, não sendo um psicopata, têm o ônus de carregar: o peso na sua própria consciência.

Vieram a público, confessaram seus crimes mediante o prêmio da impunidade pago por uma delação, entregaram seus comparsas, cúmplices ou chantageadores, redimiram-se frente à justiça (da maneira que ela entendeu que deveriam fazê-lo), impuseram-se um ostracismo paradisíaco e, agora, esperam encontrar a felicidade.

Felicidade que duvido que venha.

E os políticos? Algum deles tomou a iniciativa de se apresentar à justiça? Algum deles gravou suas conversas para um dia usar para denunciar seus corruptores? Algum deles veio a público confessar seu crimes para purgar sua imoralidade? Algum deles mostra sinais de arrependimento? Não.

Contentam-se em declarar: “não sei de nada”, “não estava lá”, “não conheço”, “nunca vi”, “nunca fui”, “nunca estive”, “não entenderam bem as minhas palavras”, “não foi isso que eu quis dizer”, “essa fita foi forjada”, “quando eu cheguei já estava assim”, “quando eu sai dali isso não tinha acontecido”.

E a mais megalomaníaca de todas as declarações: “a história me julgará”.

Há um político apenas que eu me lembre que, nos últimos anos, denunciou a prática de atos de corrupção, sendo ele próprio culpado, o deputado federal Roberto Jefferson, que desencadeou o escandaloso caso do Mensalão.

Nenhum outro me vem à mente por ter tido a iniciativa de, com o peito aberto e a cara desprovida das máscaras que eles usam cotidianamente, confessar seus crimes subterrâneos, na tentativa de purgar sua imoralidade.

Não é por outra que estou convencido de que todos os políticos que usam o seu poder para destruir, para impedir que valores sejam livremente criados, são mais que meramente seres imorais, são, sem dúvida alguma, psicopatas.

Essa instituição que deveria proteger aqueles que criam valor, que querem alcançar a felicidade trocando voluntariamente o que têm pelo que desejam, tornou-se sua antítese.

O governo brasileiro, com raríssimas exceções, abriga os psicopatas dos quais a sociedade gostaria de se livrar.

Joesley e Wesley enxergaram o que a imensa maioria do povo brasileiro se recusa a ver: estamos sendo governados por psicopatas que insistem em manter um sistema que os protege, que lhes dá o poder que não deveriam ter e que nos deixa à sua mercê.

Não basta acabar com os Joesleys e os Wesleys, não basta acabar com esses psicopatas que se apropriaram e se nutrem do sistema. Muitos outros iguais a eles virão.

É preciso acabar com esse sistema, para mudar o Brasil.

Como? Trocando pelo quê? Essa é uma conversa para quem realmente quer construir um Brasil novo, um outro Brasil.

Só há um antídoto contra a corrupção, que é o respeito absoluto à livre iniciativa e à propriedade privada.

Quando ao governo for negada a possibilidade de dispor daquilo que não é seu, não haverá moeda de troca para desencadear, estabelecer e manter um processo de corrupção.
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Escrito por Roberto Rachewsky

Revisado por Matheus Pacini

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