O mercado se “autocorrige” da mesma forma que a ciência se “autocorrige”

Se a ciência é “autocorretiva”, então a ciência é para a revelação divina o que o livre mercado é para o controle governamental. A maioria dos cientistas que conheço não gosta que se diga isso, pois são estatistas-esquerdistas e filosoficamente inconsistentes. Mas lá vai.

Dizer que a ciência é autocorretiva não significa que todos ficam parados e, então, algum equívoco ou mal-entendido magicamente se resolve. Em vez disso, na medida em que há liberdade, um cientista é livre para examinar as conclusões de outras pessoas e verificá-las. Algumas pessoas dizem que a ciência é inferior à revelação divina porque os cientistas são reconhecidamente falíveis em suas conclusões, enquanto a revelação divina é infalível. Mas elas não percebem que a razão porque a revelação divina é infalível é que as postulações são arbitrárias nem podem ser consideradas certas ou erradas.

A maioria dos cientistas que conheço odeia o livre mercado. Querem que o governo seja seu “patrocinador”, financiando-os com o dinheiro dos contribuintes. Mas há um limite para isso; a tributação e a regulamentação que favorecem têm algum efeito inibidor sobre o crescimento econômico, e existe o perigo de chegarmos ao ponto em que a galinha não porá mais ovos de ouro.

Muitos cientistas que corretamente elogiam a ciência por ser “autocorretiva” fazem questão de ridicularizar aqueles que observam que o livre mercado também é “autocorretivo”. Eles costumam usar o espantalho de que “aquele que diz que o mercado se autocorrige presume que todos podem ficar sentados sem fazer nada, pois os problemas somem num passe de mágica.” De fato, essa é uma falsa impressão que o termo laissez faire dá, se for entendido apenas como “deixar em paz”. Os políticos odeiam a alcunha laissez faire, pois, se admitirem que sabem como deixar as pessoas em paz – isso os fará parecerem passivos e preguiçosos, enquanto eles ganham fama ao se mostrarem proativos (o que, na verdade, significa serem intrometidos). Mas, no livre mercado, um empresário colaborativo melhora os padrões de vida exatamente porque não deixa as coisas em paz.

Uma tradução mais precisa de laissez faire, e que se aplica mais precisamente ao que acontece no mercado é “deixe que faça” – ênfase no faça. Isso é livre iniciativa. Uma vez que a paz é mantida, as pessoas são livres para empreender – você fica livre para fazer. Um empresário de livre mercado é proativo de uma forma que um governo intrometido não pode ser – ele permanece pacífico e obtém ajuda dos outros por meio de seu consentimento voluntário. Um mercado pacífico se autocorrige da mesma forma que a ciência se autocorrige: alguém que percebe um problema e tem a liberdade de agir e fazer algo a respeito. Na medida em que a paz é mantida, o lucro financeiro costuma ser uma boa motivação para alguém encontrar uma solução.

Muitas vezes, ouvimos o termo “falha de mercado”. A implicação disso é que, mesmo quando ninguém está sendo violento no caso de um problema (digamos, um funcionário de uma empresa cometeu um erro que resultou na distribuição de um produto defeituoso), os envolvidos podem ou não querer cooperar. Sendo assim, somente o uso da força por parte do governo poderia resolver a situação. Mas não, o erro não foi uma “falha de mercado”, mas sim uma “falha humana”: pessoas cometem erros tanto em empresas como em estatais.

A diferença é que, na medida em que as pessoas são livres e pacíficas, uma empresa que comete um erro perigoso é penalizada com a perda de clientes, ao passo que, se uma estatal comete o mesmo erro, impostos ainda serão usados para pagar seus funcionários. É um erro pensar que, ao construir empreendimentos pacíficos, a força do governo seria melhor que a livre iniciativa dos indivíduos.

Não importa quão estatista um cientista se torne, a ciência e a livre empresa estão conectadas. A ciência é a busca pacífica do conhecimento empírico, e a livre iniciativa é a aplicação pacífica desse conhecimento.

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Traduzido por Hellen Rose.

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