Roberto Rachewsky



Não é o sacrifício, mas sim o autointeresse que cria times campeões!


Bernardinho é o máximo.

Faz uma palestra impecável.

Ele tem esmero na aplicação das técnicas de oratória e aproveita seus recursos naturais como o carisma e a inteligência com primor.

Mas eu sou radical e não concordo, como objetivista, com uma ideia que ele defende e que é fundamental. Ainda mais agora que ele parece estar se envolvendo com a política. Creio que ele incorre, inadvertidamente, na mesma falácia que afeta 99,9% dos brasileiros.

Para exemplificar as ideias que defende, Bernardinho usa, em certo momento da sua brilhante palestra, analogias relativas ao esporte em que é ídolo e multicampeão.

Ele diz que é preferível treinar uma equipe de jogadores altruístas, que se sacrificam pela equipe, que não colocam a sua satisfação individual e pessoal acima do objetivo do grupo.

Ele projeta inclusive, para reforçar essa ideia que eu acho equivocada, um trecho do filme Um domingo qualquer, em que Al Pacino motiva o time de futebol americano que administra com um discurso empolgante que termina com a frase "ou sobrevivemos como time ou morremos como indivíduos".

Como isso seria possível? Uma equipe é composta de indivíduos.

O que eu entendo nesse caso, é que há uma perversão na compreensão e aplicação dos conceitos.

Altruísmo, de fato, é sacrifício; sacrifício nada mais é que trocar um valor maior por um valor menor.

Então, porque um indivíduo, que faz parte de uma equipe, em que cada um dos integrantes tem como valor supremo a vitória, a cooperação para buscá-la acima de qualquer outra coisa, o esforço pessoal para superar adversidades e adversários, a devoção às instruções do técnico e aos interesses convergentes dos companheiros, estaria se sacrificando, se o resultado dessa dedicação extraordinária será alcançar tudo aquilo que ele mais deseja?

Não há altruísmo, não há sacrifícios; pode haver esforço, pode haver custos, pode exigir superação, pode trazer dor, tensão, angústia e ansiedade: mas tudo isso não passa de um investimento pessoal, individual, em troca de um bem maior, voluntariamente escolhido por todos ali, a conquista da vitória, a glória almejada.

A frase de Al Pacino torna mais fácil evidenciar esse paradoxo: toda equipe é composta de indivíduos; se a equipe perde, perdem todos os seus integrantes; se o time vence, vencem todos os indivíduos que o integram.

O trabalho em equipe nada mais é do que o trabalho individual coordenado, sendo executado por um sistema de cooperação para benefício mútuo, sem o qual, nenhum indivíduo sairia vencedor.

Não é do altruísmo que vem a vitória, mesmo nos esportes coletivos. É do autointeresse de cada um dos jogadores, do treinador, dos integrantes da comissão técnica e de cada membro da torcida que se constrói uma vitória, um time multicampeão.

O mesmo ocorre na sociedade. É por causa do autointeresse do padeiro, por exemplo, que temos pela manhã, todos os dias, o pão quentinho.

Ayn Rand filosofou sobre o tema em "A Virtude do Egoísmo".

Se produzir o pão fosse um sacrifício para o padeiro, teríamos que comer outra coisa, aquilo que alguém tivesse o autointeresse satisfeito para nos fornecer.

Bernardinho enaltece o altruísmo quando o que realmente faz um jogador dar tudo que tem para ajudar seus companheiros de equipe é o autointeresse racional.

Bernardinho precisa entender essa ideia.

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Revisado por Matheus Pacini

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