Muro de Berlim, “Noite dos Cristais” e o mal coletivista

Assim como a construção do Muro de Berlim sinalizou tempos ainda mais difíceis para os alemães orientais, a “Noite dos Cristais” foi um marco divisório na relação entre os judeus alemães e os alemães antissemitas.

Sempre critico quando alguém diz que o Muro de Berlim caiu. Afinal, ele não caiu: foi derrubado.

Não dá para falar em “Noite dos Cristais” sem mencionar o essencial: a noite não era dos cristais, mas dos cristais quebrados.

Os alemães nazistas, como todos os coletivistas, desprezavam os judeus exatamente porque esse era o povo dos cristais, das vitrines, do comércio.

O estereótipo do judeu não é o médico, não é o engenheiro, não é o advogado. Sim, há muitos judeus médicos, engenheiros e advogados; mas o judeu comum, anônimo, de nariz adunco, “vítima” de caricaturas preconceituosas, é o pequeno comerciante, o muambeiro, o caixeiro-viajante.

Os psicopatas e suas ideologias irracionais são, antes de qualquer outra coisa, avessos ao princípio do comerciante. Os nazistas, assim como os comunistas e demais coletivistas, adeptos da brutalidade e do mal, odeiam judeus exatamente por suas virtudes, como a de serem os principais promotores desse princípio, o princípio do comerciante, que, nas palavras de John Galt, personagem de A Revolta de Atlas, significa:

“O símbolo de todas as relações entre os homens [racionais], o símbolo moral do respeito pelos seres humanos, é o comerciante. Nós, que vivemos de valores, não de saques, somos comerciantes, tanto na matéria quanto no espírito. Um comerciante é um homem que ganha o que recebe e não dá ou recebe o que não é merecido. Um comerciante não pede para ser pago por suas falhas, nem pede para ser amado por suas falhas. Um comerciante não desperdiça seu corpo como forragem ou sua alma como esmola.

Assim como ele não dá seu trabalho exceto em troca de valores materiais, ele não dá os valores de seu espírito – seu amor, sua amizade, sua estima – exceto em pagamento e na troca de virtudes humanas, em pagamento pelo seu próprio prazer egoísta, que recebe de homens que pode respeitar. Os parasitas místicos que, ao longo dos tempos, insultaram os comerciantes e os desprezaram, enquanto honravam os mendigos e os saqueadores, conheceram o motivo secreto de suas zombarias: um comerciante é a entidade que eles temem – um homem de justiça.”

É por isso que eu acho complicado quando os líderes da comunidade judaica usam o consequencialismo utilitarista e pragmático para justificar o respeito aos judeus. Eles tentam justificar a defesa dos direitos individuais dos judeus dizendo que esse e aquele produto só existe porque um judeu o inventou. Isso está errado.

Os antissemitas odeiam os judeus exatamente por isso. Quanto mais jogarem na cara desses coletivistas o quanto os judeus são virtuosos, mais ódio terão deles.

Os judeus, assim como qualquer indivíduo, devem ser respeitados não porque são virtuosos, criativos e produtivos acima da média, mas porque são iguais a todos os outros seres humanos, seres racionais, dotados de direitos individuais e, na sua grande maioria, apegados ao princípio que decorre disso: o princípio do comerciante.

Por trás da construção do Muro de Berlim e da destruição das vitrines ao longo da Kurfuerstendamm, estão as mentes dos filósofos do caos e do niilismo, e as mãos de seus seguidores que colocaram essas ideias em prática.

Todos os que enxergam no princípio do comerciante um guia de como viver em sociedade devem se sentir ofendidos, ultrajados, humilhados, atacados com a construção do Muro de Berlim e a Noite dos Cristais Quebrados.

Esses dois eventos terem acontecido na capital do Idealismo Germânico não é coincidência ou correlação. Há uma causalidade de cunho intelectual e esta é responsável pelo Holocausto e morte e sofrimento de dezenas de milhões de indivíduos inocentes, seja com o nazismo do Terceiro Reich ou o comunismo da União Soviética e seus satélites, como a República Democrática da Alemanha.

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Revisado por Matheus Pacini.

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