Roberto Rachewsky



Liberdade em poucas palavras


FELICIDADE

A busca da própria felicidade é o intento ético supremo, a razão de ser, o objetivo maior de nossa existência. É exatamente por isso que somos detentores natos do direito à vida, que nada mais é do que o direito de existirmos como indivíduos, fazendo o que é moralmente legítimo para mantermos a nossa própria existência e buscarmos aquilo que nos fará felizes.

PROPÓSITO

Para que essa busca seja possível, é preciso, em primeiro lugar, que cada um de nós defina para si quais os propósitos que almeja realizar ao longo da vida. Sem propósitos racionalmente definidos, a busca da felicidade torna-se missão sem sentido. Busca requer ação, portanto, significa movimento. Cada propósito carrega uma série de objetivos a serem alcançados, que irão definir atrás do que mobilizaremos nosso corpo e nossa mente.

RAZÃO

Nossa identidade, determinada pela nossa natureza, é formada por características intrínsecas que exigem do nosso ser um tipo de ação bastante peculiar. Por não termos sido, diferentemente dos demais seres vivos, dotados de instintos ou sistemas automáticas de sobrevivência, precisamos, necessariamente, para garantir a nossa existência, para florescer e prosperar, recorrer ao uso da razão, essa fantástica faculdade que nos permite pensar.

LIBERDADE

Derivados do direito à vida, seguem-se outros direitos corolários, sendo o mais importante deles, sem o qual não se conseguiria realizar nenhum outro, o direito à liberdade. Como toda busca demanda que se julgue o que nos tornará felizes e como alcançaremos esse estado de felicidade, o exercício do direito à liberdade nada mais é do que a possibilidade de agirmos baseados nos nossos próprios julgamentos. É o direito à liberdade que nos permite agir de maneira desimpedida para preenchermos as necessidades que nos distanciam dos nossos propósitos de vida, substituindo carências, demandas, insatisfações e escassez por tudo aquilo que serve para saciar tais necessidades, carências, demandas ou insatisfações.

VALORES

Aquilo que nos permite ter uma vida saudável, longeva e próspera chamamos de valores. É da ação para cria-los que resulta o que será de nossa propriedade. São os valores que elegemos criar para deles dispor, no presente ou no futuro, que podem ser divididos em valores materiais, intelectuais e espirituais. No entanto, o direito à liberdade, que nos permite cria-los, é indivisível, inalienável, intransferível e inadiável, visto que a vida é única, limitada, imprevisível e finita.

GOVERNO

Somente a iniciação do uso da força ou de fraude serve de justificativa para que alguém perca, momentânea ou permanentemente, dependendo das repercussões do ato de violência que tiver praticado, os direitos que tem. Inclusive, em casos extremos, o próprio direito à vida. Cabe ao governo, como representante do povo, em nome da justiça, por meio de um processo baseado em leis objetivas, claras, de simples compreensão, que sejam prospectivas, igualmente aplicáveis para todos, valer-se do poder que lhe é outorgado pela sociedade de fazer uso da coerção para investigar os fatos e julgar os acusados pela violência praticada – se culpados, devem sofrer as devidas punições.

SOCIEDADE ATUAL

Sendo a nossa sociedade predominantemente coletivista e estatista, consequência da opção majoritária pela irracionalidade, confundem-se e pervertem-se conceitos ao ponto de se achar que os direitos à liberdade e à felicidade podem ser fatiados, o direito à propriedade relativizado e o primordial direito à vida, do qual derivam todos os outros, submetido à vontade de todos, como se a sociedade como um todo pudesse ser mais importante do que cada um dos indivíduos que a integram. A vida e os direitos que ela traz não podem ser segmentados. Ou existimos ou não existimos, ou somos livres ou somos escravos, ou somos proprietários ou somos propriedade, ou somos felizes ou somos condenados à infelicidade.

SOCIEDADE IDEAL

É por isso que somente nas sociedades erigidas sobre os princípios e ideais liberais, regidas pelo estado de direito, com leis e governo estabelecidos exclusivamente para defender os direitos individuais, se atinge o grau de privacidade que caracteriza o convívio social de forma civilizada. Privacidade não significa isolamento, mas, sim, respeito à individualidade, em que cada um, para cuidar da sua vida, julgar e agir livremente, criar e manter os valores que ambiciona, realizar seus propósitos, satisfazer seu autointeresse e atingir, assim, a felicidade, deve cooperar e transacionar, espontânea e voluntariamente, com quem deseja, para benefício próprio, para benefício mútuo, com a vontade de florescer como ser humano e alcançar aquilo que busca de forma pacífica, profícua e racional.

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Publicado originalmente em Instituto Liberdade.

Revisado por Matheus Pacini

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