Roberto Rachewsky



É preciso ter cuidado com oportunistas nas horas que sucedem as tragédias


É preciso muito cuidado nessas horas que sucedem as tragédias para não nos deixarmos levar por emoções impróprias.

É óbvio que, nesses casos, os nervos ficam à flor da pele e ficamos suscetíveis a apelos ideologicamente inadequados, vindos dos manipuladores de sempre que querem apagar incêndios com querosene.

O desejo de que a justiça seja feita é válido, necessário e indispensável. No entanto, temos que ter a consciência de que toda atividade humana está sujeita a riscos incontroláveis e consequências indesejáveis, principalmente, quando se trata de empreendimentos de grande porte que envolvem mobilização maciça de recursos naturais, tecnológicos, financeiros e humanos.

Não se pode, por causa de falhas na segurança ou nos processos industriais, condenar a atividade produtiva em si; o homem é um ser que, para viver, precisa produzir.

É claro que, após qualquer acidente, o devido processo legal deve ser instaurado imediatamente para que suas causas possam ser conhecidas e os responsáveis, caso haja, sejam identificados, investigados e, se for o caso, punidos.

Nessas horas, sempre surgem os oportunistas querendo desmerecer a atividade produtiva que, em especial, desde a Revolução Industrial no século XVIII, vem reduzindo velozmente a miséria humana, permitindo década após década que bilhões de seres humanos tenham uma vida melhor e mais longeva.

Ninguém deseja que num processo produtivo inocentes paguem com suas vidas em consequência da irresponsabilidade ou do dolo de quem controlava a cena. Para que cada episódio desse sirva de lição para todos, é fundamental que se punam os culpados, que se aprimore o processo produtivo visando diminuir ainda mais os riscos de acontecimentos trágicos.

Com tudo que já aprendemos com as tragédias passadas, urge que se tire das mãos do governo operações de empresas como a Vale, para que não se repita o que sabemos ser indesejado.

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Publicado originalmente em Instituto Liberal.

Revisado por Matheus Pacini.

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