Stephen Hicks

Professor de Filosofia na Rockford University.

Escreveu diversos livros e artigos sobre temas como Objetivismo, empreendedorismo, ética, pós-modernismo.

Há vários artigos traduzidos ao português disponíveis na página do autor.



Stephen Hicks - 'Cântico e a definição de caridade para Rand'


Beck: Fale sobre Ayn Rand. Eu estou um pouco confuso. Eu sou libertário na maioria dos temas, mas quando leio Ayn Rand... Não me entenda mal, eu amo a filosofia dela, o Objetivismo - e tudo que ela escreveu - porém tenho bastante dificuldade para entendê-la. Cântico é um de meus livros favoritos, porém não me identifico com sua ênfase no ego, no “eu”. Ela crê que a caridade não é necessariamente uma virtude. Isso parece bastante egoísta. Você pode me ajudar a desfazer essa impressão?

Hicks: Com certeza. Na questão do ego, pense no que faz a sua vida ter sentido. Se você permitir que outras pessoas escolham seus principais valores - seu gosto musical, seu tipo de comida favorito, seu estilo de vestir, seus amigos, sua profissão, sua namorada - nenhuma dessas coisas terá significado para você, afinal, não são suas escolhas.

Beck: Eu penso em lealdade.

Hicks: Exato. Se, por exemplo, gostar de um estilo musical porque todas as pessoas de seu círculo social também gostam, você não terá uma vida significativa. Assim, penso que um dos pontos destacados por Rand é que, de todos os valores fundamentais, incluindo valores sociais como amizade, amor, colegas de trabalho, etc, para que tenham significado, devem ser escolhidos pelo próprio indivíduo. Esse é o ponto central.

A segunda parte da sua pergunta trata de caridade. Eu penso que, segundo Rand, a caridade é uma virtude menor, dependente da situação. E, sem dúvida, um dos fatos extraordinários sobre Rand é que ela não a considera uma grande virtude. Em algumas tradições, ela é a principal virtude. Penso que o motivo disso é Rand ter uma visão bastante otimista acerca dos seres humanos, de que eles não precisam ser tratados como casos de caridade. Agir de outra forma me parece até ofensivo.

Beck: Concordo com isso.

Hicks: Creio que, para todas as pessoas com algum nível de respeito próprio, as circunstâncias que o fariam aceitar caridade são muito restritas? Apenas em alguma situação desesperadora em que você já tentou tudo para superar suas dificuldades. Por isso, penso que parte do que se supõe é que a maioria dos seres humanos pode, com esforço, viver sua vida, sem a necessidade de caridade. E se você parte dessa suposição, então, você dirá “o que torna possível para as pessoas viverem as suas vidas?”

Quais habilidades, hábitos e atitudes precisamos encorajar em nós mesmos e em outras pessoas? Esse será o foco de sua ética, e não em como certas pessoas não conseguem resolver seus problemas e o que deve ser feito quanto e para elas. É claro que haverá exceções, pessoas sem sorte que tomaram decisões erradas, órfãos ou outros casos particulares. E nesses casos, se você estiver lidando com uma pessoa decente, porém naquele momento azarada, se ela for sua amiga e você pode ajuda-la, seja caridoso!

Beck: Você prejudica as pessoas quando não permite que falhem, e que aprendam com suas falhas.

Hicks: Com certeza.

__________________________________________

Traduzido por Karen Kotz.

Revisado por Matheus Pacini.

Curta a nossa página no Facebook.

Inscreva-se em nosso canal no YouTube.

__________________________________________