Yaron Brook

CIO do Ayn Rand Institute.

Escreve livros e artigos desde uma perspectiva objetivista.

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SOMOS PAGOS PELO VALOR QUE CRIAMOS


Entre na Netflix, e poderá ver episódios antigos de Dirty Jobs, em que o apresentador Mike Rowe visita encanadores, suinocultores, e siderúrgicos, tentando realizar alguns dos trabalhos menos sexys, mas puramente fascinantes que tornam o mundo possível.

Todas essas pessoas trabalham arduamente, e tal fato levanta uma questão em sua mente – questão essa que é central ao debate atual sobre desigualdade: por que é que eles ganham menos que CEOs, banqueiros e atores de Hollywood?

A resposta é que, no livre mercado, as pessoas não são pagas pela força feita, mas pelo valor criado.

Pense na autora JK Rowling, que se tornou bilionária com sua saga Harry Potter. Rowling certamente trabalhou duro – bem como milhares de outros autores que se esforçam para encontrar uma audiência. A diferença é que milhões de pessoas valorizam o trabalho de Rowling. Eles estavam dispostos a gastar £10 ou £15 por cada livro da saga, porque o prazer que deles derivava superava o valor monetário dos livros.

Para eles era irrelevante se Rowling sofria de bloqueio de escritor, ou passava noites em claro agonizando em sua escrivaninha, ou se ela facilmente produzia 100 páginas por dia em perfeita prosa. Era o valor que importava.

A noção de que as pessoas deveriam ser pagas pelo trabalho duro, em vez de trabalho valioso, pode parecer boa para alguns em teoria; todavia, na prática, significaria que um barbeiro comum que só sabe cortas as patilhas deveria receber mais que o cabeleireiro que fizer o melhor corte de cabelo de sua vida. Isso significaria que o garçom cansado merece uma gorjeta maior do que um igualmente competente, mas que recusou o convite de ir para festa na noite anterior.

Sem dúvida, criar valor requer trabalho duro, e muitas pessoas que ganham fortunas praticam um grande esforço mental: do empreendedor do Vale do Silício ao atleta-campeão, passando pelo cirurgião cardíaco de sucesso. Eles fazem o sucesso parecer fácil; mas se fosse fácil, todo mundo o alcançaria. Mesmo assim, o esforço em si, embora merecedor de nossa estima e admiração, nada implica no quanto o salário de uma pessoa deveria ser.

A mulher de Don, por exemplo, é professora – muito inteligente, pelo que ele me diz – e provavelmente trabalha tão duro quanto muitos CEOs da FTSE100. Mas ela só oferece serviço, em média, a uma centena de estudantes por ano. Os CEOs criam valor para milhões, ou mesmo bilhões, de pessoas. Seria absurdo que ela ganhasse perto do que eles ganham.

O pagamento é o resultado da troca, e o que trocamos são os valores que criamos. Quanto mais você tem a oferecer, mais você receberá em troca.

É por isso que é ridículo reclamar da desigualdade de renda que emerge de transações livres e voluntárias. Rowling aumentou a desigualdade quando se tornou bilionária, mas ela o fez ao melhorar a vida de milhões de pessoas – e quem não gostasse de seus livros não era obrigado a lhe pagar nem um centavo.

Esse é o padrão que vemos em toda a economia. Jeff Bezos, Warren Buffett, e Mark Zuckerberg podem ter milhões no banco, mas suas fortunas não vem em detrimento de consumidores, de empregados ou da sociedade como um todo. Eles prosperaram ao fazer algo enormemente valioso – liderar empresas que enriqueceram a vida de todos que com elas escolheram negociar. Foi e é uma relação ganha-ganha.

Hoje, infelizmente, nem todo mundo recebe pelo valor que cria. Muitos são pagos pelos favores governamentais que conseguem extrair. O cronismo generalizado sob a forma de resgates, subsídios e outros privilégios especiais pode aumentar a desigualdade. Mas o problema não é a desigualdade – é a natureza ganha/perde do cronismo. Quando as pessoas enriquecem por meio dos favores governamentais, elas o fazem à custa de contribuintes, de compradores e de concorrentes. A solução não é lutar contra a desigualdade de renda, mas evitar o cronismo. Nós não deveríamos punir os criadores de valor pelos pecados dos cronistas.

Lutar contra os altos salários dos CEOs tornou-se, para alguns, “o desafio principal de nosso tempo”, para citar o ex-presidente Barack Obama. Mas seguir tal curso de ação seria uma dupla desgraça. Uma sociedade justa não deveria punir pessoas por prosperarem; se o fizer, não se surpreenda se houver menos prosperidade.

Hoje, os Estados Unidos vê uma queda em sua taxa de crescimento econômico, e o mesmo poderia ser dito da Grã-Bretanha. São os maiores criadores de valor que impulsionam o progresso humano, e o desafio real de nosso tempo é como libertar a busca da realização produtiva enquanto se elimina o lobismo na política. Isso, sim, demandará trabalho duro.

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Tradução de Matheus Pacini

Publicado originalmente em no Ayn Rand Institute

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