Jean Moroney



Siga a razão


Como todos sabem, sou uma pensadora. Gosto de entender a situação antes de agir. Fico feliz em considerar possibilidades, prever consequências e introspectar minhas reações emocionais antes de agir.

No entanto, aprendi da forma mais difícil que, se quiser fazer o que tem de ser feito, preciso cuidar com essa preferência, e trocar a chave de “pensar” para “agir” antes de me sentir confortável a fazê-lo. A recompensa é enorme!

Se estou resistindo a fazer um trabalho, dar um pequeno passo pode, ou me ajudar a superar barreiras, ou revelar o motivo de minha resistência (via resposta emocional), permitindo-me assim descobrir qual é o próximo passo realista.

Se tenho um projeto de longo prazo em mente, dar um pequeno passo real para concretizá-lo já o aclara muito, e essa sensação de progresso me motiva a pensar ainda mais para torná-lo realidade.

Se estou indecisa ou saturada, algo simples como organizar minha mesa serve para limpar a mente, permitindo-me decidir meu próximo passo.

Para ficar claro, desconfiar de minha preferência por pensar não deve ser interpretado como uma preferência pela ação. Um viés à ação tem seus próprios problemas.

É provável que já tenha ouvido a frase: “é melhor fazer algo do que nada”. Isso não passa de uma racionalização para agir antes de ter qualquer noção de se tal ação será benéfica. Pense na última vez que se arrependeu de ter dito algo num momento de raiva. Não fazer nada teria sido melhor – pelo menos, até você se acalmar e pensar em algo construtivo a dizer.

Se quiser testar se está pronto para a ação, pense num motivo para agir. Formule-o para si próprio em uma frase. Se puder expressar sua razão sem rir ou tremer – se ela faz sentido e é construtiva – aja!

Note que eu não disse: “simplesmente faça”. Essa é outra frase com um viés à ação.

Se acha que deve fazer algo, faça tudo que puder. Contudo, se resistir a fazê-lo, pode ser um sinal de que você não pensou nas consequências reais dessa ação.

É um grande erro ignorar ou silenciar tal resistência com um ato de vontade. Na melhor das hipóteses, se ela se basear num erro simples, você gastará mais energia do que teria sido necessária do que os 30s esclarecendo a questão. Na pior, se ela for baseada numa questão profunda, desconsiderá-la a fortalecerá no tempo, levando, eventualmente, a um ciclo de burnout.

Isso não significa que você deve “seguir o caminho de menor resistência”, outra frase um viés à ação. O caminho de menor resistência é o caminho da estagnação. Nenhum objetivo ambicioso é alcançado sem agir mesmo frente a resistências.

O segredo é tomar uma ação realista. Mas, como?

Como mencionei antes, um pequeno passo pode revelar o motivo da resistência, ajudando-o a resolver o problema. Às vezes, não é o suficiente. Às vezes, identificar a resistência é mais difícil. Por exemplo: se você odeia algum aspecto de seu trabalho, se tem dúvidas sobre ele ou se está cansado da cultura da empresa. Quando isso ocorre, é preciso um bom tempo de introspecção para resolver os dilemas.

Enquanto isso, sua decisão sobre o que fazer deve levar em conta o conflito recém-descoberto que levará tempo para ser resolvido; talvez, você não tenha tempo para tratar dele agora. Nesses casos, o seu próximo passo deve ser cuidadoso, pois ele deve sanar necessidades urgentes e, ao mesmo tempo, ajudar a resolver o conflito mais profundo. Por exemplo, fazer a tarefa que “deveria” fazer prestando atenção ao desconforto que isso gera pode ajudá-lo a entender as questões mais profundas. (Mas isso não equivale ao “caminho de menor resistência”. É muito desconfortável, e exige muito esforço).

Espero que percebam que não estou defendendo a separação de pensamento e ação. O que defendo aqui é uma ação pensada, refletida, racional. É o que se costumava chamar de “seguir a razão” até que muitas pessoas passaram a associar essa frase com “negar os seus sentimentos”.

Essa é uma perversão clara do sentido original, já que as emoções são alertas importantes (de valor) que precisam ser consideradas no processo de pensamento. Emoções em si não lhe dão informação suficiente para chegar a uma conclusão lógica – normalmente são distorcidas ou superficiais. Seu significado verdadeiros só se torna conhecido quando você introspecta, identificando os valores reias em jogo. Essa é uma atividade eminentemente racional.

Com esse esclarecimento, então, podemos resumir o artigo em três palavras: “siga a razão”.

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Publicado originalmente em Thinking Directions.

Revisado por Matheus Pacini.

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