Alfredo Nicolini



RESENHA DO FILME - BILLY ELLIOT


Billy Elliot é um filme sobre de um garoto de 11 anos no norte da Inglaterra durante a crise das minas de carvão do governo Margaret Thatcher. A história começa mostrando que seu pai e seu irmão, como muitos outros mineradores, estão em greve, logo, é difícil para eles pagarem as aulas de boxe de Billy, que não é um bom boxeador.

Como os grevistas estão ocupando o salão principal do clube esportivo da cidade, as aulas de balé da Sra. Wilkinson são transferidas para o mesmo local das aulas de boxe, situação que chama a atenção de Billy. Ao final de uma de suas aulas de boxe, tendo ficado até mais tarde como castigo por sua incompetência, a professora de balé o desafia, pede que vista os sapatos de balé apropriados e, de repente, o garoto está praticando seus primeiros movimentos de balé. Ele se apaixona pelo balé, começa a levá-lo a sério, estudando e praticando às escondidas. Ele consegue manter sua paixão em segredo até que, um dia, seu pai descobre e o proíbe de frequentar as aulas. Frente a isso, a Srta. Wilkinson lhe oferece aulas privadas gratuitas, e ele segue praticando todos os dias. Nesse momento, após atestar a disciplina e o talento de Billy, a professora lhe propõe um objetivo: uma audição na Escola Real de Balé. A greve endurece, e, com seu irmão na prisão, Billy não se apresenta. Frente a sua ausência, a professora vai até a casa dele, onde discute com os familiares do garoto, que estão indignados pela ideia de uma carreira de bailarino. Seu irmão exclama: “e o que dizer da infância que ele deveria ter?”, ao que Billy responde: “eu não quero uma infância, só quero ser bailarino”.

Apesar de seu desejo, Billy é forçado a abandonar a carreira. Até que, na véspera de Natal, seu pai o surpreende dançando no clube. O garoto o encara e dança, demonstrando habilidade e destreza. É aqui que o pai vê o potencial de seu filho e decide abandonar a greve para lhe propiciar uma oportunidade, pois é a única alternativa que Billy terá além de morrer em uma mina. Por isso, vende as joias de sua defunta esposa e consegue pagar a viagem para a audição. E aqui, no clímax da obra, Billy dança frente aos jurados, que logo lhe perguntam: “o que você sente quando dança?” E ele responde: “posso sentir meu corpo mudar. Sinto-me voando como um pássaro.”

Os juízes ficam estupefatos, pois testemunham que o balé é a força motriz da vida de Billy. Essa mesma estupefação é sentida por muitos espectadores do filme, afinal, essa obra cinematográfica apresenta uma característica humana fundamental: a ambição por valores. O herói desta história não sucumbe frente a trivialidades da adolescência, senão que tem um propósito central em sua vida e trabalha para realizá-lo. Em minha opinião, esse é o aspecto mais inspirador do filme.

Durante uma das aulas em segredo com a Srta. Wilkinson, a professora lhe conta a história da peça musical que estão escutando - O lago dos cisnes (Ato II, No. 10, Moderato) – “essa mulher, essa bela mulher, é forçada a ser um cisne, exceto por algumas poucas horas cada noite, quando revive e volta a ser real.” Billy Elliot é a história desse cisne. É a história de um garoto que é forçado a se conformar com a vida de minerador, de um garoto ambicioso que treina cada dia para fugir de um abismo escuro de carvão. Billy é um homem que vence suas adversidades e cumpre seus objetivos. É o cisne que salta e supera seus obstáculos. E, assim, eleva o espírito humano.

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Crítica de cinema por Alfredo Nicolini para Objetivismo.org.

[As ideias apresentadas nesse artigo são originais e exclusivas de seu autor, não formam parte da filosofia do Objetivismo, e podem não ser necessariamente compartilhadas no todo ou em parte pelo Objetivismo Brasil]

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Publicado originalmente em Objetivismo.org.

Traduzido por Matheus Pacini.

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