Conrad Lagowski



Otto Warmbier e a farsa da negociação com ditaduras


Em janeiro de 2016, Otto Warmbier, um estudante norte-americano de 22 anos de idade foi acusado de ter furtado um cartaz panfletário durante uma excursão na Coreia do Norte, tendo sido posteriormente sentenciado a quinze anos de trabalho forçado. O governo Obama respondeu por meio de tentativas de negociação com o regime totalitário, visando à libertação de Warmbier, o que, previsivelmente, não funcionou.

Pelo contrário, Warmbier sofreu por dezoito meses em uma prisão norte-coreana. Pouco tempo após ter sido libertado e retornado para casa em estado vegetativo, faleceu em decorrência de significativos danos cerebrais.

Sem entrar no mérito do fato de que ninguém deveria viajar a uma ditadura como a Coreia do Norte, bem como todas as maneiras pelas quais os Estados Unidos e outros países ocidentais permitiram que o regime norte-coreano se tornasse a ameaça considerável dos dias de hoje, a lição que pode ser verificada aqui é exatamente aquela que os Estados Unidos falharam em aprender por diversas décadas: não se deve negociar com ditadores, tiranos ou terroristas.

Uma negociação é adequada somente quando as partes envolvidas possuem princípios, objetivos e valores básicos. Não é adequada se uma das partes se utilizou ilegitimamente de força física contra a outra, e busca “beneficiar-se” de tal uso de força. Negociar, neste caso, significa tolerar tal força e estabelecer um precedente que a estimula de maneira mais intensa. Ademais, o processo de negociação demanda um tempo valioso, que pode significar tanto lesões adicionais como o próprio falecimento da vítima.

Do mesmo modo que seria tido por obsceno negociar com um conhecido estuprador de crianças que raptou uma pequena garota, é igualmente obsceno negociar com um ditador assassino que sequestra um estudante norte-americano. O estuprador e a ditadura empreenderam força coercitiva e não possuem direitos. As partes sequestradas, por sua vez, têm direito às suas vidas e liberdade – e portanto, de serem imediatamente liberadas, salvaguardada a sua integridade. O governo, na condição de responsável por proteger os direitos das partes sequestradas, tem uma responsabilidade moral de praticar todos os atos ao seu alcance para assegurá-los.

Não era necessário que os Estados Unidos tentassem e verificassem se as negociações com a Coréia do Norte “funcionariam”. Nós saberíamos antecipadamente que não funcionariam, e Warmbier poderia estar em casa com sua família hoje, são e salvo, se nosso governo tivesse pensado por meio de princípios.

Sobre uma situação análoga, Peter Schwartz escreveu no The Foreign Policy of Self-Interest:

O paradigma aqui verificado é a reação do Presidente Theodore Roosevelt, em 1904, ao sequestro de um norte-americano, Ion Perdicaris, no Marrocos, por piratas comandados por Ahmed er Raisuli. No breve comunicado de Roosevelt com o governo de Marrocos, lia-se: “Queremos Perdicaris vivo ou Raisuli morto.” Não houve envolvimento “diplomático”, tão somente a mobilização de nossa frota naval para Tangier—ao passo em que Perdicaris foi rapidamente libertado.

Warmbier também poderia ter sido rapidamente libertado. Entretanto, foi torturado até a morte.

Podemos, por favor, aprender a lição agora?

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Publicado originalmente em The Objective Standard

Traduzido por Luis Felipe Rasmuss

Revisado por Matheus Pacini

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