Yaron Brook

CIO do Ayn Rand Institute.

Escreve livros e artigos desde uma perspectiva objetivista.

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Nascer pobre não o impede de usar a razão para enriquecer


Muito depois de ele ter se estabelecido como um dos principais empresários dos Estados Unidos, assim como o “rei da siderurgia”, Andrew Carnegie refletia que “todos vivemos no país mais rico e mais livre do mundo, onde nenhum homem é limitado, exceto por sua atitude mental e seus próprios desejos”.

Na época – cerca de uma década antes da I Guerra Mundial – a atitude de Carnegie era quase universal. Nos Estados Unidos, qualquer pessoa poderia conquistar uma vida melhor para si se trabalhasse duro. Hoje, a atitude de Carnegie é considerada quase antiquada.

Oportunidade? Ora, a oportunidade é tão rara – que os americanos não nascidos em “berço de ouro”, deveriam obtê-la à custa dos outros. Seja formação acadêmica, emprego, moradia ou subsídios, a oportunidade é vista como algo que os outros têm de lhe dar. Se você não tiver sucesso, não é porque você fracassou em capitalizar as oportunidades que se lhe apresentaram, mas sim porque você não foi um dos poucos “sortudos”.

Carnegie disse: “meus homens tiveram exatamente o mesmo ponto de partida que eu. Eles tiveram os mesmos privilégios para avanço pessoal que eu tive.”

É difícil imaginar algum ponto de partido mais precário. Carnegie emigrou da Escócia para os Estados Unidos com 12 anos de idade. Com poucos centavos no bolso, e só cinco anos de educação formal nas costas (falta de escolaridade não é uma desculpa válida para o fracasso; nem é a escolaridade uma garantia de sucesso”, ele diria), o jovem Andrew foi trabalhar em uma fábrica têxtil, com jornada de 12 horas por dia, por US$ 1,20 dólares por semana.

Não era muito, mas era o suficiente. O emprego deu a Carnegie a oportunidade de aprender e demonstrar sua dedicação ao trabalho. Rapidamente, ele trocou de emprego: em menos de um ano, ele tinha arranjado um emprego na O’Reilly’s Telegraph Company, começando pelo dobro que tinha ganhado na fábrica.

Foi lá que o crescimento de Carnegie começou de fato – não por causa de um “golpe de sorte”, mas por meio do hábito que Carnegie veio a chamar de “andar a milha extra”. Mesmo já trabalhando até tarde, Carnegie decidiu começar a trabalhar mais cedo para aprender como mandar e receber mensagens telegráficas. Ele trabalhou tão duro que eventualmente podia receber mensagens de ouvido, em vez de transcrevê-las via código Morse – um feito que só outras duas pessoas nos Estados Unidos podiam fazer.

Tal habilidade o ajudou a ser notado por Thomas A. Scott, um superintendente da Pennsylvania Railroad. Scott contratou o jovem para ser seu secretário e telégrafo por US$ 35 dólares ao mês – um pequeno valor na época, mas muito superior aos US$ 1,2 por semana que recebia na O’Reilly’s Telegraph Company.

Carnegie logo se tornou indispensável para Scott. A real reviravolta não veio muito depois de ele ser contratado. Carnegie estava no escritório certo dia quando recebeu a notícia de um acidente na Divisão Leste. O tráfego de trens começou a parar; em vez de dar de ombros, dizendo “não é meu trabalho, não é meu problema”, Carnegie escolheu agir. “O Sr. Scott não podia ser encontrado”, ele escreveria depois. “Finalmente, não pude resistir à tentação de fazer algo, tomar a responsabilidade, dar “ordens” e fazer “a coisa funcionar.”

Não foi uma decisão fácil. Embora Carnegie tivesse visto Scott lidar com problemas similares no passado, vidas e propriedades estavam em jogo. “Eu sabia que era demissão, humilhação e, talvez, punição criminal se eu falhasse. Por outro lado, eu poderia chamar os trabalhadores cansados da noite, e poderia fazer com que tudo andasse. Eu sabia que podia.” E ele fez, forjando a assinatura de Scott, e emitindo ordens até que a ferrovia estivesse de volta ao normal.

Graças à determinação de Carnegie e seu esforço organizado, Scott começou a ensinar o jovem sobre as habilidades que ele necessitaria para ter sucesso nos negócios. Posteriormente, ele ajudaria Carnegie a realizar o seu primeiro investimento, lançando a carreira de Andrew como capitalista de fato. Em 1860, na idade de 25 anos, Carnegie estava recebendo mais de US$ 50,000 – mais do que suficiente para ser considerado rico na época.

“Oportunidade” significa um conjunto de circunstâncias em que um curso de ação exitoso é possível. Oportunidades abundam. O que é escassa é a disposição de aproveitar-se delas. Na medida em que um país é livre, uma pessoa sem dinheiro, sem escolaridade, sem conexões pode chegar até onde sua habilidade e ambição a levarem. Mas desenvolver habilidade e ambição pode ser um processo desafiador, desconfortável e, até mesmo, assustador. Relativamente poucas pessoas de qualquer era escolheram fazê-lo, e como resultado, poucas capitalizaram nas oportunidades ilimitadas da vida.

Nas palavras de Carnegie, “um homem pode nascer na pobreza, mas ele não tem que viver na pobreza. Ele pode ser iletrado, mas não tem de morrer assim. Mas... nenhum volume de oportunidade beneficiará o homem que nega ou se recusa a tomar posse do poder de sua própria mente, usando-o para seu próprio progresso pessoal.”

E foi isso que levou Carnegie ao sucesso: o uso constante de sua mente na busca de uma vida melhor. Seja aprendendo uma nova habilidade, tomando uma ação decisiva em uma emergência, ou liderando a empresa siderúrgica mais inovadora e eficiente do mundo, o compromisso de seguir o julgamento de sua mente racional foi a única oportunidade que necessitava.

Isso – a disposição de pensar – é algo que ninguém pode lhe dar.

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Tradução de Matheus Pacini

Publicado originalmente na revista Forbes

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