Roberto Rachewsky



MANUAL DO POLÍTICO HONESTO


Aproveitando que o tema “política” está mais destacado que nunca, tanto pelas primeiras pesquisas de intenção de voto, como pelo julgamento dos casos de corrupção que afetam até o presidente atual, Michel Temer, resolvi criar um pequeno manual do político honesto.

Recomendo a aplicação integral do que está aqui prescrito. Caso contrário, não garanto que surtira o efeito desejado.

  1. Não crie leis que criam crimes; só se constitui crime o ato que viola os direitos de alguém. Se tiver que criar leis, que elas sejam objetivas, prospectivas, claras, simples e iguais para todos, de modo que sejam compreendidas por qualquer um e se limitem a proteger os direitos individuais à vida, à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade, como cada indivíduo preferir para si;
  2. Não crie privilégios para alguém quando eles, necessariamente, só poderão ser oferecidos se os privilegiados, ou o próprio governo, tiver que violar direitos de alguém;
  3. Não crie impostos porque o imposto é uma violação de direitos, e o governo não tem isenção moral para violar os direitos de ninguém. Pelo contrário, o governo tem a obrigação moral de proteger os direitos individuais de todos;
  4. Não crie gastos que não possam ser pagos pelo que for angariado dos usuários do governo através do pagamento espontâneo de taxas e doações;
  5. Elimine todo e qualquer tipo de lei que viole os direitos das pessoas, seja com relação à vida, à liberdade e à propriedade que elas possuem;
  6. Não viva da política, viva, sim, de um trabalho produtivo. A política não cria valor. Ela pode, no máximo, transferir tais valores de uma mão para outra. Sempre que os valores produzidos por alguém forem transferidos para terceiros através de um ato violento promovido por uma lei instituída por um político, pelo menos um valor estará sendo destruído, o da justiça.
  7. Impeça que o governo se intrometa na economia, na educação, na geração de ideias (cultura) e na ciência. Economia, educação, cultura e ciência são atividades baseadas no uso da razão e são diretamente dependentes do grau de liberdade experimentado pela sociedade. O governo, pelo contrário, tem a sua natureza diretamente relacionada com a coerção, com o uso da força. Coerção e uso da força são ações destrutivas, exatamente o oposto que economia, educação, cultura e ciência têm como propósito, a saber, a criação de valor.
  8. Não leve em consideração quantas pessoas terão vantagens com suas propostas legislativas. Considere apenas que, se alguém, mesmo um único indivíduo, tiver seus direitos individuais violados, então sua proposta é imoral e ilegítima, não devendo ser levada adiante;
  9. Considere que nenhum grupo pode ter direitos superiores aos direitos que cada indivíduo do grupo possui isoladamente. E que ninguém em um grupo tem direitos inferiores ou superiores aos direitos de qualquer outro membro do grupo.
  10. Direitos e privilégios são coisas diferentes. Quando alguém adquire direito sobre algo que não é seu, através de uma ação violenta, está adquirindo um privilégio ilegítimo, um ganho imerecido e injustificado. Direitos só existem quando somos proprietários daquilo que efetivamente nos pertence, seja a nossa vida, a nossa liberdade ou a propriedade que adquirimos legitimamente, através da sua criação, produção, troca por algo que já se tinha ou por doação voluntária feita por alguém.
  11. Se você quer participar da política, entenda claramente que fazer política não é comprometer suas convicções éticas, cedendo aos apelos daqueles que querem violar direitos, em vez de preservá-los. Se você cede ao mal, você é um mau político. Político bom é aquele que defende o bem, a verdade e o que é moralmente correto, de forma intransigente e inegociável. Um político do bem não está na política para transigir com quem defende o mal. Pelo contrário! Um político do bem está na política para impedir que o mal prospere.
  12. Finalmente, já que você insiste em atuar na política, faça da sua atuação uma defesa intransigente da livre iniciativa e da propriedade privada. Não apenas na retórica. Proponha a privatização de tudo que for estatal: empresas, instituições, imóveis, serviços. Enfim, tudo! Quando sobrar apenas a justiça e a polícia, e você ainda quiser ser um político servindo à sociedade, demita-se do cargo para o qual foi eleito e torne-se um juiz ou um policial a serviço da defesa dos direitos individuais.

Se você não seguir algum desses itens, tenha certeza de que você acabará sendo mais que um político: você será um bandido como qualquer bandido que viola os direitos individuais.

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Revisado por Matheus Pacini

Publicado originalmente em Instituto Liberal

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