Roberto Rachewsky



Luciano Huck e a desigualdade social


Outro dia, estava assistindo a um programa tipo Saia Justa mas que só tinha homens. Entre os entrevistados estava Luciano Huck, mais um dos tantos “self-made men” que dão opiniões totalmente equivocadas sobre ética, política e economia.

A liberdade de expressão é boa para isso: eles falam, você ouve e passa a conhecer o que tem dentro da caixola desse pessoal.

Luciano Huck resolveu agora opinar com frequência e o seu cavalo-de-batalha é o combate à desigualdade social, o maior espantalho já criado pela esquerda.

Desigualdade social é algo que antes de ser um mal é a salvação da humanidade.

Somos iguais apenas depois da morte. Antes dela, a nossa desigualdade é que faz com que se estabeleça a divisão de trabalho, a especialização, a cooperação e as trocas voluntárias para benefício mútuo.

É a desigualdade, metafisicamente estabelecida, que age como causa exclusiva da geração de valor e riqueza para todos, que será obtida por cada um de nós de acordo com o nosso mérito.

Sempre que fizermos a estupidez de focarmos na tentativa de acabar com a desigualdade social, o resultado invariavelmente será mais pobreza - esse sim o problema a ser combatido.

Ocorre que, para combater a pobreza, é preciso produzir mais, e isso só ocorre se aumentarmos a liberdade no mercado para que cresçam as oportunidades através das quais os empreendedores, em conjunto com seus funcionários, criarão riqueza.

Com mais liberdade, mais ricos ficarão os mais ricos, mas também mais ricos ficarão os mais pobres, porém não na mesma velocidade, nem na mesma quantia.

Pelo que dá a entender, pessoas como Luciano Huck não sabem que riqueza não se distribui, se cria. Quando um empreendedor, seja ele um grande incorporador ou o dono de uma carrocinha de pipoca, cria riqueza ao colocar em movimento o processo de geração de valor que ocorre na primeira transação que proporcionam.

O jogo de mercado, em que o governo não atrapalha e só protege os participantes para que não haja violência, é um jogo do tipo ganha-ganha.

A desigualdade entre ricos e pobres, se não for estabelecida pelo uso de coerção, quem se importa?

Se importam apenas aqueles que não compreendem o processo meritório de mercado ou carregam dentro de si um profundo sentimento de culpa por possuírem verdadeiras fortunas enquanto há tanta gente miserável.

É claro que a culpa que gente como o Luciano Huck sente nunca é suficiente para eles darem suas fortunas para os mais pobres, voluntariamente.

Podem até fazer uma caridade aqui, outra ali, mas eles sabem que isso não é suficiente para acabar com a pobreza em um país tão disfuncional como o Brasil. Também, exatamente por isso, não é
suficiente para aplacar seu conflito psicoemocional.

Mas o sentimento de culpa acaba sendo suficiente para eles exigirem que o governo espolie uns para dar a outros. Eles não se dão conta que o governo, na quase totalidade de suas ações para eliminar a desigualdade social, acaba agravando-a, pois, ou taxam mais os pobres que os ricos ou criam regulações que prejudicam mais os pobres que os ricos, produzindo resultados inversamente proporcionais às suas intenções.

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Revisado por Matheus Pacini.

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