Ryan A. Ferguson



Homem de ação versus homem de opinião


Atualmente, estou relendo A Revolta de Atlas com um grupo de pessoas da comunidade Praxis. Finalizamos há pouco o capítulo VIII, e já nos aproximamos do final da primeira parte do romance. Ao final do capítulo XVII, há um rápido diálogo entre Henry Rearden (personagem principal) e Paul Larkin (personagem secundário) que explicita um marco divisório entre as pessoas.

Não entendeu? Permita-me explicar.

Na história, o governo promulga uma lei que torna ilegal que alguém tenha mais que um tipo de negócio. Rearden, um titã nas indústrias de ferro, carvão e aço, é forçado a vender suas minas de ferro a Paul Larkin.

Larkin se sente culpado pela lei e busca tranquilizar Rearden. Ele promete sempre vender o minério a Rearden, agindo como se Rearden fosse o proprietário legítimo.

Rearden responde:

“Não gosto de promessas. Não gosto dessa pretensão de que minha posição é absolutamente segura. Não é. Fizemos um acordo que não tem nenhuma força legal. Quero que você entenda bem qual é a minha posição. Se pretende manter sua palavra, não fale nisso: apenas aja.”

Pego de surpresa pela sinceridade dele, Larkin responde:

Por que você me olha como se fosse culpa minha? Você sabe que eu também não gosto desta situação...”

Esse parágrafo foi escrito 60 anos atrás, mas destaca uma divisão importante entre as pessoas: as que valorizam a ação, e as que valorizam sentimentos, o homem de ação versus o homem de opinião.

Em vez de se preocupar com o sentimento dos outros para contigo, preocupe-se com as ações deles. Não importa o que pensam, mas sim o que fazem. O que importa é se mantiveram a sua palavra, fizeram acontecer e cumpriram suas responsabilidades em sua vida pessoal e profissional.

Henry Rearden já é um homem de ação, preocupando-se com as ações dos outros. Ele não se importa se você gosta dele, mas sim se você cumpre sua palavra e entrega resultados.

Paul Larkin é um homem de opinião, preocupando-se com os sentimentos dos outros: todavia, mais importante, ele crê que é virtuoso porque pensa nas coisas certas.

Ele acredita ser uma boa pessoa porque ele se sente mal pelo que ocorreu com Rearden. Na realidade, todavia, ele nada fez para barrar a lei (e, pior, contribuiu para a sua aprovação).

Larkin é a criança que nunca aprendeu a lição de Fences. Ele está preocupado com os sentimentos dos outros, algo que ele nunca poderá conhecer, em vez de focar na realidade concreta de suas ações.

Ele está suplicando a Rearden que reconheça seus sentimentos, pois ele quer acreditar que seus sentimentos lhe tornam uma pessoa boa.

Sua frágil autoestima é baseada na ideia de que você pode ser uma boa pessoa desde que você creia nas coisas “certas”.

Hoje, muitas pessoas são só homens e mulheres de opinião.

É atraente pensar que deveríamos ser julgados por nossas opiniões. É fácil e nos permite dizer a nós mesmos que somos pessoas boas porque nos revoltamos contra certas coisas.

Tal abordagem nos permite condenar pessoas por criar valor e trabalhar duro, afirmando a nós mesmos que somos melhores que outras pessoas porque elas não se preocupam com as causas sociais do dia.

Isso permite que nos induzamos à passividade. Para quem quer conquistar algo, essa é uma armadilha crucial que devemos evitar.

Suas crenças só importam porque esclarecem suas ações. A crença correta precede a ação correta, mas a crença nada vale por si mesma. Se você não seguir em frente, agindo com integridade e coragem, as suas crenças de nada servirão.

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Traduzido por Matheus Pacini

Publicado originalmente no site oficial do autor.

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