Roberto Rachewsky



Como acabar com o jogo de cartas marcadas da política brasileira?


A democracia brasileira está a serviço do Estado, e não dos indivíduos que compõem a sociedade. O processo eleitoral e as instituições ditas republicanas servem para manter a sociedade à mercê e a serviço do Estado. Até hoje, com raríssimas exceções, vimos que aqueles que buscam penetrar no círculo fechado do poder estatal tem como objetivo aproveitar-se dele para conquistar um nível superior de qualidade de vida.

No Brasil, nunca se viu qualquer movimento coordenado para acabar com a escravidão consentida, a submissão sancionada pelas vítimas que tentam manifestar suas vontades através de um sistema democrático sabidamente viciado por instituições pervertidas.

O jogo do poder no Brasil é feito com cartas marcadas. Não basta mudar a retórica e reescrever a narrativa: é necessário derrubar a estrutura político-institucional atual, substituindo-a por uma nova matriz, fundamentada noutros princípios como aqueles que permitem que uma sociedade seja composta de indivíduos livres e independentes não submetidos, incondicional e indevidamente, à coerção do Estado. É claro, caso alguns desses indivíduos usem de força ou fraude para ganhar o que não lhes compete, devem ser punidos pela justiça.

Um Estado que tudo pode precisa, necessariamente, de uma sociedade servil, que tudo aceita. A luta por liberdade começa com a adequação do papel do Estado e, no Brasil, isso nunca foi feito. O papel de protagonista no cenário socioeconômico brasileiro sempre foi reservado ao Estado e àqueles que o integram ou que o rodeiam.

As leis que forjam a dinâmica do nosso sistema político-eleitoral e, por consequência, econômico, são leis antinaturais, deturpações propositadas impostas com o objetivo de desumanizar os indivíduos em prol de um corpo e uma mente coletiva, existente apenas como abstração na consciência daqueles que querem deter o poder para dirigir vidas alheias para o seu próprio bem-estar. Isso só é possível se esses, que colocam suas vidas, voluntaria e pacificamente, sob o domínio e o controle do Estado, mantiveram-se evasivos e alienados da grande oportunidade que é existir.

Não fomos premiados por singamias ocasionais para servimos o Estado. Se não estamos aqui para lutar e viver como seres humanos, como indivíduos racionais dotados de direitos inalienáveis, deveríamos então ter nascido como ratos.

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Revisão de Matheus Pacini.

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