Ari Armstrong



Ayn Rand estava certa: gatos são objetivamente valiosos


Em 1966, Ayn Rand escreveu uma carta sobre gatos que reapareceu recentemente em um tweet de Mallory Ortberg, em uma postagem Marina Galperina para a Animal e, também, em um artigo de Caroline Moss para o Business Insider. Confira a carta de Rand, destinada ao editor da revista Cat Fancy:

Você pergunta se tenho um gato ou simplesmente gosto deles, ou ambos. A resposta é: ambos. Amo gatos em geral, e tenho dois.

Você pergunta: “você se interessa por gatos, ou sua assinatura foi estritamente objetiva?” Minha assinatura foi estritamente objetiva, porque me interesso por gatos. Posso demonstrar objetivamente que os gatos são de grande valor, e a edição de lançamento da Cat Fancy pode servir como parte da evidência. (“Objetivo” não significa “desinteressado” ou indiferente; significa correspondente aos fatos da realidade e se aplica tanto ao conhecimento como aos valores.)

Galperina zomba de Rand por sua carta doce e perfeitamente sensata:

Rand foi corajosa ao morder a isca – vincular o Objetivismo a gatos é como aplicar a teoria das cordas ao ciúme. E, mesmo assim, ela conseguiu fazê-lo, da forma mais seca possível. “Valores” – mesmo os encontrados em gatinhos fofinhos e amáveis – são puramente objetivos, pois Rand se sente objetiva ao afirmar tal coisa. O que não se pode dizer das emoções de pessoas que dedicam seus valores morais ao cuidado de seres humanos menos afortunados. Que adorável!

Longe de mostrar qualquer problema com a carta de Rand, o comentário de Galperina só evidencia sua ignorância quanto ao significado de valor objetivo, e sua preferência por atacar Rand a apresentar suas ideias de forma justa.

Um valor objetivo não é desvinculado das emoções, como sugere Galperina; tampouco é necessariamente um valor universal para todas as pessoas. Alguns valores objetivos, incluindo vida, razão, virtude moral e alimento, são universais para todas as pessoas que escolhem viver. Mas valores podem ser objetivos, mesmo que não forem universais.

Considere alguns exemplos. Creme de amendoim é um valor objetivo para algumas pessoas, na medida em que se alimentar dele serve à sua vida e felicidade; mas não o é para outras com alergia a amendoim. E, obviamente, algumas coisas que as pessoas perseguem não são valores objetivos: um drogado “valoriza” a “paz” que a droga traz, mas essas “paz” não é um valor objetivo pois não serve a sua vida e felicidade; e, pior, prejudica sua vida (reconhecendo ele ou não).

Embora Galperina rejeite a ideia de que um bichinho de estimação possa ser objetivamente valioso para uma pessoa, ele pode ser. Como dono de um gato, posso atestar que os gatos são divertidos e fofinhos, fazem coisas surpreendentes, e são uma ótima companhia. O fato de ser dono de um gato – objetiva e, portanto, factualmente – contribui para minha vida e felicidade. Obviamente, para alguém com alergia a gatos ou que não gosta deles, ter um gato não seria um valor objetivo.

De forma geral, me fascina o fato que uma carta muito antiga de Rand sobre um tema relativamente leve esteja voltando à tona. Espero que a publicidade a respeito dessa carta de Rand sobre gatos inspire mais pessoas a explorar as ideias filosóficas de Rand – incluindo sua teoria do valor objetivo. Mesmo uma velha carta sobre gatos pode ser objetivamente valiosa.

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Publicado originalmente em The Objective Standard.

Tradução de Matheus Pacini.

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