Ryan A. Ferguson



12 citações impactantes de A Revolta de Atlas: Volume I – Não Contradição


A Revolta de Atlas é um de meus romances favoritos. Eu o li uma vez por ano desde 2014 (com exceção de 2016) e aqui destaco as passagens mais legais, desde o ponto de vista de um homem de ação.

A ascensão de Dagny entre os homens que dirigiam a Taggart Transcontinental foi rápida e incontestada. Ela ocupou posições de responsabilidade porque não havia mais ninguém para ocupá-las. Havia alguns homens de talento, mas eram raros e, a cada ano, se tornavam cada vez mais raros. Os seus superiores, que ocupavam os cargos de autoridade, pareciam ter medo de exercê-la. Gastavam seu tempo adiando decisões, de modo que ela ia dizendo a todos o que fazer – e eles obedeciam. A cada passo de sua ascensão, ela já vinha realizando o trabalho muito antes de o cargo correspondente lhe ser efetivamente oferecido. Era como avançar por aposentos vazios. Ninguém se opunha a ela, embora nenhuma pessoa apoiasse o seu avanço.[1]

É fácil se destacar no meio da multidão. No início, pode parecer que você não tem nada a oferecer, mas se cuidar do que está sob sua responsabilidade – se você fizer o que diz que fará, bem como usar a sua mente – você se destacará na multidão de forma muito rápida. Se você se dedicar a fazer o seu trabalho da melhor forma possível, se você se orgulhar dele, se você estiver buscando conscientemente ser o melhor de si próprio, então, dentro de pouco tempo, você verá que deixou a multidão para trás.

Francisco considerava natural que as crianças da família Taggart houvessem sido escolhidas para sua companhia: eram as herdeiras da Taggart Transcontinental, como ele era da Cobre D’Anconia. “Representamos a única aristocracia que existe no mundo: a aristocracia do dinheiro”, dissera ele a Dagny certa vez, aos 14 anos. “É a única aristocracia verdadeira, se é que as pessoas sabem o que isso significa; e não sabem.”[2]

[...]

“Francisco, você é uma pessoa de muita nobreza, não é?” E ele respondera: “Ainda não. A razão de minha família durar tanto é que a nenhum de nós jamais foi permitido se considerar um

D’Anconia de nascença. Nós não nascemos, nós nos tornamos D’Anconia.”[3]

Eu amo a expressão “a aristocracia do dinheiro”. As pessoas tendem a considerar o surgimento do poderoso mercador/comerciante como um fato inevitável da história, mas não é: até aquele momento, os poderosos tinham sido 100% parasitas, líderes de gangues cuja riqueza tinha sido manchada de sangue, eternizando-se como herança familiar. A posição que ocupavam era, portanto, imoral, e não fruto do esforço individual. Por sua vez, a classe mercante chegou ao poder pelo valor criado para a sociedade. Muitos filhos do dinheiro se transformam em parasitas semelhantes aos filhos de reis e rainhas, mas não os melhores de si próprios. Essas duas citações andam lado a lado. O que torna d´Anconia um grande homem é a realização de que não é o seu sobrenome, mas sim as suas ideias, que o tornam quem ele é.

Jim estava chegando ao fim de seu curso numa faculdade de Nova York. Seus estudos lhe emprestaram uma agressividade estranha, trêmula, como se ele houvesse descoberto uma nova arma.[4]

Eu amo essa frase “seus estudos lhe emprestaram uma agressividade estranha, trêmula, como se ele houvesse descoberto uma nova arma”. Ela descreve muito bem aquele aluno de faculdade que terminou há pouco seu primeiro ano de Sociologia e foi ensinado que pode condenar toda pessoa produtiva na Terra por ser inerentemente racista, sexista, transfóbica, etc. Essa não é a atitude do filósofo, mas da criança ferida que encontrou uma nova forma de se sentir especial e condenar o mundo.

Naquele inverno, Dagny reduziu sua vida à simplicidade luminosa de um desenho geométrico: algumas linhas retas – de sua casa à faculdade de engenharia na cidade, de dia, e de sua casa ao trabalho na estação de Rockdale, à noite, e o círculo fechado do seu quarto, repleto de diagramas de motores, projetos de estruturas de aço, horários de trens.[5]

Muitas pessoas resistem a simplificar sua vida às coisas que importam. Não tenha medo da especialização e da simplicidade: aceite-as. Isso é o que lhe fará progredir, independentemente de sua linha de trabalho.

Ela ia dizer “não”, quando percebeu que a verdade era ainda pior.

– Quero – respondeu friamente –, mas isso de eu querer não importa.

[Dagny em conversa com Francisco][6]

Dagny valorize sua autoestima acima de seu desejo. Muitas pessoas não entendem tal ponto; elas se culpam por seus sentimentos, ou se entregam a eles como se não tivessem a capacidade de comandá-los. O que nos torna humanos é nossa habilidade de agir sobre o que é certo, não importando os sentimentos dos outros.

“Você só liga para os negócios.” Ele ouvira essa frase por toda a sua vida, pronunciada como um veredicto de condenação. Sempre soubera que os negócios eram encarados como uma espécie de culto secreto, vergonhoso, algo que não se mostrava aos leigos inocentes. As pessoas os encaravam como uma necessidade feia, algo a ser realizado mas nunca mencionado, que falar nisso era uma ofensa às sensibilidades mais refinadas, que, assim como se lavava das mãos a graxa das máquinas antes de ir para casa, também era necessário tirar da mente a sujeira dos negócios antes de entrar numa sala de visitas.

Ele nunca acreditara nesse credo, mas aceitara como natural que a família acreditasse nele. Aceitava com naturalidade, mudo, como quem aceita, sem questionar nem mencionar, alguma coisa aprendida na infância. Aceitava como o mártir de alguma religião obscura que tivesse se dedicado a servir uma fé que era a paixão de sua vida, mas que o transformava num pária entre os homens, colocando-o além da compreensão de seus semelhantes.[7]

Negócios sustentam nossas vidas e nossas sociedades. Negócio é vida. É o uso mais valioso e produtivo de nosso tempo, mas muitas pessoas consideram seu negócio ou seu trabalho como algo que não deveriam desfrutar, algo que deveriam esquecer após as 18 horas. Essa é uma visão totalmente depravada e vazia de sentido.

– Os filósofos do passado eram superficiais – prosseguiu o Dr. Pritchett. – Coube ao nosso século

redefinir o objetivo da filosofia, que não é ajudar o homem a encontrar o sentido da vida, e sim provar a

ele que a vida não tem sentido.[8]

– A literatura do passado – dizia Balph Eubank – era superficial e mentirosa. Ela pintava tudo de

cor-de-rosa para agradar os milionários aos quais servia. A moralidade, o livre-arbítrio, a realização, os

finais felizes, o homem como ser heroico – tudo isso se tornou ridículo para nós. Pela primeira vez, nossa

era deu profundidade à literatura, expondo a verdadeira essência da vida.[9]

– O enredo é uma vulgaridade primitiva na literatura – disse Eubank com desprezo.

O Dr. Pritchett, que atravessava a sala em direção ao bar, parou para comentar:

– Perfeitamente. Do mesmo modo que a lógica é uma vulgaridade primitiva na filosofia.

– Do mesmo modo que a melodia é uma vulgaridade primitiva na música – acrescentou Mort Liddy.[10]

Gosto dessa série de citações na festa de aniversário dos Rearden. É uma amostra da conexão direta entre filosofia e arte: como a arte irracional e sem sentido que é tão popular na sociedade é o resultado direto do abandono de uma filosofia racional.

– Então, o que o senhor quer é… ganhar minha confiança?

– Não. Não gosto de gente que fala ou pensa em termos de ganhar a confiança dos outros. Quem age honestamente não precisa da confiança prévia dos outros, apenas de sua percepção racional. Quem quer ter esse tipo de carta branca tem intenções desonestas, quer o admita, quer não.[11]

[Francisco para Hank Reardon em seu primeiro encontro na festa de aniversário de Reardon].

– Não tinha jeito, Srta. Taggart – disse Ben Nealy, ofendido. – As brocas se gastam muito depressa.

Eu já tinha encomendado, mas a Ferramentas Ltda. teve um problema, não foi culpa deles: é que as Metalúrgicas Associadas não entregaram o aço que eles pediram. Quer dizer, o jeito é esperar. Não adianta ficar contrariada, Srta. Taggart. Estou fazendo o melhor que posso.

– Eu contratei o senhor para fazer determinado serviço, não para fazer o melhor que o senhor pode, seja lá o que quer dizer com isso.[12]

Na infância, você recebe amor e carinho incondicionais de seus pais. Na vida profissional, você é valorizado por fazer o seu trabalho. Não importa quão boas as suas intenções, quão duro você trabalha, ou quanto demorou para acertar, tudo que importa é o que você, de fato, fez.

Deviam fazer alguma coisa – disse o Sr. Mowen. – Um amigo meu abriu falência semana passada… Trabalhava no ramo petrolífero, tinha uns dois poços lá em Oklahoma… não conseguiu competir com Ellis Wyatt. Não está direito. Deviam dar uma oportunidade aos pequenos. Deviam limitar a produção de Wyatt. Não deviam deixá-lo produzir tanto… todos os outros vão ter de fechar seus negócios. Ontem fiquei preso em Nova York, tive de largar meu carro lá e voltar de carona, não havia gasolina, dizem que está faltando combustível na cidade… Isso não está direito. Deviam fazer alguma coisa.[13]

Evadir-se das conclusões ou da responsabilidade pelas conclusões que você defende, e simplesmente exigir que os problemas sejam resolvidos. Então, quando aparecem os trade-offs óbvios da política que você defende: “não posso levar a culpa”.

– Eu pretendia mandar a sua parte para você, era essa a minha intenção, mas não tenho culpa se perdemos 10 dias de trabalho mês passado por causa das chuvas que caíram em todo o norte de Minnesota. Eu pretendia mandar a sua encomenda, você não pode pôr a culpa em mim, porque minha intenção era essa.

– Se um dos meus altos-fornos ficar sem minério, ele vai continuar funcionando se eu colocar suas intenções dentro dele?[14]

Outro exemplo de um homem de opinião tentando se safar com a desculpa de boas intenções.

– A senhorita não tem o direito de me desprezar.

Ela parou e o olhou:

– Não manifestei minha opinião quanto a isso.

– Sou absolutamente inocente, porque perdi meu dinheiro, porque perdi todo o meu dinheiro por uma boa causa. Minhas intenções eram nobres. Eu não quero nada para mim. Nunca quis nada para mim. Srta. Taggart, me orgulho de poder afirmar que em toda a minha vida jamais lucrei com nada!

Dagny respondeu, tranquila, calma, séria:

– Sr. Lawson, creio que devo lhe dizer que, de todas as coisas que um homem pode dizer, essa é a que eu considero a mais desprezível de todas.[15]

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Publicado originalmente em FEE.

Traduzido por Matheus Pacini.

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[1] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.61

[2] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.99

[3] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.99

[4] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.108

[5] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.111

[6] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.131

[7] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.137

[8] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.142-144

[9] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.142-144

[10] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.142-144

[11] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.157

[12] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.175

[13] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.261

[14] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.315

[15] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V. I, p.327