Objetivismo Brasil - A Filosofia de Ayn Rand em Português.

Superando obstáculos para fazer o que importa

Há apenas três obstáculos que o impedem de fazer o que importa: confusão, tentação e resistência – ou, uma combinação deles. Se você tem dificuldade para fazer o que importa, é provável que esteja sob a falsa impressão de que não pode superá-los.

A confusão pode impedi-lo de seguir em frente, pois você não sabe o que fazer. A paralisia mental interrompe suas ações. A solução mais comum para a confusão é a persistência. Descubra! Identifique sua prioridade número 1! Parafraseando Voltaire, nenhum problema resiste ao ataque do pensamento.

É verdade que, pensando, fica mais fácil esclarecer qualquer confusão. Mas nem sempre descobrir qual seria o próximo passo é o que importa. Às vezes, isso leva muito tempo; você pode perder uma oportunidade. Lidar com a confusão exige lidar com sua origem: necessidades mentais não atendidas, tais como liberar espaço mental ou presença emocional.

Para combatê-la, precisa perceber e satisfazer suas necessidades mentais, permitindo-lhe focar no que importa e agir de acordo.

A tentação tira você do caminho certo. A maioria das pessoas dirá que, para superar uma tentação, é preciso supri-la. Apenas diga não!

É verdade que, para lidar com ela, precisa fazer algo como “dizer não”. Se surgir a vontade de comer uma rosquinha, faça uma pausa. Se perceber que já comeu uma, é bom parar. Se comeu sem perceber, faça uma pausa. Mas não basta fazer uma pausa: precisa lidar com a causa da tentação. E não estamos falando da rosquinha. A causa real é que algo não está indo bem na tarefa “que importa”.

Ela só se torna um obstáculo quando você conclui que o que deveria fazer é emocionalmente desagradável, ou prevê que assim será. Quando uma tarefa está indo bem, e você sabe que ela é importante, não há tentação por rosquinhas ou distrações. Só quando uma tarefa desperta sentimentos negativos é que você se sentirá tentado a fazer outra coisa.

Entretanto, sentimentos negativos são alertas importantes. Indicam que algo valioso está corre perigo. Precisam ser entendidos, não suprimidos, de modo a entender o que está acontecendo. Por isso você faz uma pausa, em vez de “dizer não” a uma vontade. Ao suprimi-la, você também silenciará os sentimentos negativos que a tornaram tão atrativa, além de se privar de informações importantes sobre “o que importa”.

Quer acabar com as tentações? Leve os sentimentos a sério. Fazer o que mais importa pode e deve ser satisfatório, mesmo que exija esforço e seja desconfortável. Se gera sofrimento emocional, há um problema a ser solucionado. O primeiro passo para resolvê-lo é refletir sobre os sentimentos, identificando e validando as ideias que os subjazem.

Às vezes, os sentimentos ruins desaparecem quando você os ilumina com a verdade, quando encontra uma forma de tornar a tarefa menos desagradável, ou de cumpri-la apesar do desconforto. Às vezes, você percebe que está lutando contra algo fora do seu controle, e precisa aceitar emocionalmente esse fato para pôr fim ao assunto.

De vez em quando, você descobre que aquilo não era exatamente uma tentação, mas apenas um pressentimento de que outra coisa importa mais, e que você deve mudar seu foco. Tudo isso é possível, se você levar seus sentimentos a sério, em vez de tentar suprimi-los.

A resistência é a aversão a uma tarefa obrigatória, da qual você não pode fugir, e isso o revolta. É como se o seu carro estivesse atolado, não podendo sair do lugar. O remédio tradicional para superar a resistência é a força de vontade. Respire fundo e faça o que tem que fazer!

É verdade que você precisa usar um pouco de força de vontade para lidar com ela. Mas como muitas pesquisas mostraram, se confiar apenas nela, suas reservas emocionais serão sugadas rapidamente, e você não conseguirá fazer muita coisa.

Resistir contra uma obrigação é uma situação sombria e aprisionadora. Causa frustração e culpa, pois parece que você não é capaz ou não está disposto a fazer o que é “certo”. E não é só isso: pode haver resistência até para tomar medidas drásticas para acabar com o sofrimento do ciclo vicioso.

Felizmente, não importa o quão “atolado” você esteja, tem energia mental suficiente para fazer aquilo que importa. Quando a negatividade o paralisar, seja paciente consigo mesmo. Isso reduz temporariamente as chamas da culpa e da frustração, ajudando-o a voltar ao mundo do valor e da ação. Uma certa dose de tolerância neutraliza diretamente a origem da resistência – as crenças autodestrutivas.

Crenças autodestrutivas são conclusões negativas que você chegou sobre si próprio, o mundo e as outras pessoas. São pensamentos do tipo “não sou bom o suficiente”, “não posso ter o que quero”, “é impossível ter sucesso”, “meus sentimentos não importam”, “sou um fracasso”. Existem inúmeras variações, muitas subjetivas, envolvendo generalizações e outros erros lógicos.

O que as torna autodestrutivas é que disparam emoções negativas que motivam ação que tende a corroborar o julgamento negativo com evidências. Por exemplo, se você pensa que ninguém gosta de você, passará a ser mais cauteloso com os outros, afastando-se deles. E, como resultado, as pessoas não gostarão muito de você. Adotar uma crença autodestrutiva é extremamente doloroso.

A resistência que você sente é uma aversão a sentir dor. A causa da forte resistência à sua prioridade é alguma crença autodestrutiva. Então, não importa o quanto uma tarefa seja importante, você se enrola para dar um pequeno passo, pesa suas carências mentais ou reflete sobre seus sentimentos. Qualquer um deles resultará naquela experiência pesada. Qualquer autocrítica sobre não fazer o que importa pode exacerbar isso. Não se surpreenda se sentir resistência.

Um pouco de compreensão reduz imediatamente o negativismo, dando-lhe a oportunidade de romper o ciclo vicioso. Pode ser exatamente uma afirmação para si mesmo de que você, uma boa pessoa, disparou contra si um pensamento autodestrutivo, o que explica por que essa tarefa tão importante se torna, rapidamente, tão difícil. Nossa compreensão também pode vir como um comando para abandonar a autocrítica, que só coloca lenha na fogueira. Ou, talvez, pode significar permitir-se um tempo, pois você não está disposto a trabalhar naquele momento. Tratar com naturalidade, ao invés de se criticar, ajuda a retomar o controle de sua mente e resolver o problema.

A resistência não desaparecerá só porque você deixou de se criticar ou por que fez uma pausa. Mas essa compreensão lhe dá um pouco de energia emocional para se libertar das crenças autodestrutivas.

Uma possibilidade é analisar como as crenças autodestrutivas geram resultados indesejáveis. Olhar de fora, intelectualmente, reduz a intensidade das emoções e ajuda a ativar sua curiosidade. Podendo vê-las como crenças, e não como verdades, você pode tirar outras conclusões sobre si mesmo, o mundo e as outras pessoas. Neste caso, avaliações benevolentes e/ou construtivas.

Outra possibilidade é lembrar que você sempre tem uma escolha, logo, seja empático consigo mesmo. O que quero dizer é que, a partir daí, poderá identificar o valor que está em jogo. Quão positivo você quer estar agora? Qual é o próximo passo? O que importa agora pode não ser a meta que você estabeleceu pela manhã. Confiar em si mesmo, explorar suas necessidades internas e descobrir o que realmente importa exige certo tempo para reprogramar qualquer crença autodestrutiva.

Confusão, tentação e resistência: três fenômenos mentais mal entendidos que você precisa entender, se quiser fazer o que é mais importante.

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Publicado originalmente em Thinking Directions.

Traduzido por Hellen Rose.

Revisado por Matheus Pacini.

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