Parasitismo do homem coletivista: a filosofia de Ellsworth Toohey

Por que Toohey inicialmente apoia a carreira de Keating? Qual é o propósito de Toohey ao promover as carreiras de pessoas como Keating, Gordon Prescott, Lois Cook e Gus Webb? De que forma esse propósito se relaciona com sua campanha contra Roark? Como essa questão interage com os temas mais amplos do romance?

“Não há homens, mas apenas o grande NÓS, uno, indivisível e eterno.” Este é o mantra arrepiante do governo que Igualdade 7-2521 deve obedecer no mundo do romance Cântico. Mas enquanto Cântico examina o perigo mais obviamente visível de um governo que impõe doutrinas coletivistas como essa, A nascente explora um mal muito mais poderoso: a infiltração do coletivismo, não na política, mas na própria essência da alma do homem. O paradigma desse mal é um jornalista magro e frágil chamado Ellsworth Toohey, um personagem que se opõe fundamentalmente à grandeza espiritual de Howard Roark.

Ellsworth Toohey é um medíocre inútil. A única forma pela qual ele pode se tornar um grande homem é destruindo o próprio conceito de grandeza – o seu principal objetivo ao longo do romance. Toohey dedica-se à destruição da independência, do individualismo e da integridade, exercendo controle sobre os espiritualmente fracos. Prega uma doutrina coletivista abominável para as massas, disfarçada de virtude moral; encoraja o altruísmo, o autossacrifício e a renúncia ao ego em prol de um bem maior; lança romances didáticos e artigos cuidadosamente elaborados que escondem propaganda maliciosa. Seu propósito ao fazer isso é quebrar os espíritos individualistas dos homens, “roubar [suas] almas” (298) e inserir suas ideias nefastas nos invólucros vazios que restarem.

Peter Keating é um arquiteto medíocre, uma grande fraude; ele copia os estilos do passado e o trabalho de seus colegas. Por si só, não é capaz de produzir algo de grande valor ou substância; é inútil sozinho. Rand retrata Keating como o epítome prático da abnegação, já que ele não tem um eu. Valores individuais não têm sentido para um homem como Keating, cuja única ambição é ter sucesso aos olhos dos outros. Toohey conhece esse lado de Keating, apoia e se deleita com isso; Keating é a vítima perfeita. Toohey trabalha duro para promover a carreira de Keating, enquanto esmaga o seu espírito. Elogia Keating nos jornais, traz-lhe grande fama e reconhecimento e o apresenta como o novo padrão de grandeza arquitetônica. Ao mesmo tempo, destrói a autoestima de Keating, sabotando o seu único valor redentor, seu relacionamento amoroso com Catherine Halsey, convencendo-o a se casar com Dominique. Depois de reduzi-lo a uma casca vazia, Toohey desfaz-se dele, escolhendo o repulsivamente incompetente Gus Webb como seu novo mártir arquitetônico.

O propósito de Toohey ao apoiar pessoas como Peter Keating, Gus Webb, Lois Cook e Gordon Prescott vai muito além da necessidade de ter controle sobre eles. A única coisa que todos esses personagens têm em comum é serem incrivelmente medíocres em suas respectivas profissões. Keating, Webb e Prescott são arquitetos comuns. Lois Cook é uma romancista que escreve bobagens incompreensíveis. Ike é um péssimo dramaturgo que não oferece novas ideias. Toohey promove e defende a mediocridade como o padrão mais elevado em cada profissão, reforçando a carreira de pulhas como esses. Ele convence o público a elogiar os banais e desprezar os grandes homens como Roark, em um esforço para esconder suas próprias deficiências. Alguns homens, como Gus Webb, estão cientes do papel que desempenham no plano de Toohey. Outros, como Peter Keating, não querem aceitar. As massas são suscetíveis ao plano de Toohey porque não passam do que Roark chama de “segunda mão” (658); vivem pela aprovação alheia. Mesmo personagens como Gail Wynand, que exibem algumas qualidades de Roark, são prejudicados por sua dependência fundamental de outras pessoas. O próprio Toohey é um maria-vai-com-as-outras: sua filosofia de rejeição à individualidade, às aspirações e à busca pessoal de felicidade o torna inteiramente dependente das massas que ele mesmo controla. Ao aumentar seu número de seguidores, Toohey aumenta a barreira entre ele e o mundo real. O conceito de “segunda mão” não explica apenas por que as massas são vulneráveis ​​à doutrinação de Toohey, mas também por que sua influência não se estende a Howard Roark.

Howard Roark é o epítome de um grande homem, um individualista. Ele não está preocupado com os outros homens e suas opiniões “A única coisa que importa. . . é o trabalho em si. Meu trabalho feito do meu jeito.” (579) Toohey está totalmente consumido pela necessidade de eliminar Roark, cuja própria existência é uma ameaça à sua filosofia. Embora esses dois protagonistas masculinos sejam apresentados como oponentes, certamente não são iguais. Quando Toohey completar seu golpe no Templo Stoddard, parecerá ao leitor que ele venceu. Ele destruiu a carreira de Roark, derrotou-o no tribunal e agora se diverte ao ver Roark observar os arquitetos medíocres contratados para desfigurar sua arte. Mas quando o suposto sucesso de Toohey o deixa cara a cara com Howard, ele lhe pergunta: “Sr. Roark, estamos sozinhos aqui. Por que você não me diz o que pensa sobre mim? ” (389) Ao que Roark responde: “Mas eu não penso em você.” (389) Aos olhos de Toohey, Roark é seu maior inimigo; mas para Roark, Toohey é um inconveniente insignificante.

Ellsworth Toohey representa o grande mal do coletivismo na alma do homem. Ele engendra o clima social numa tentativa de destruir o ego do homem, pregando que é “abençoado acreditar, não entender” (380). Embora Toohey e homens como ele representem uma grande ameaça filosófica, sua podridão só pode prosperar pela sanção da vítima. Assim como John Galt, o protagonista de A revolta de Atlas, jurou “parar o motor do mundo” (671), implorando aos criadores que removessem sua sanção, Toohey também foi interrompido quando Gail Wynand removeu sua sanção fechando o The Banner, privando Toohey de seu poder. Como Roark proclama, um homem só tem duas formas para viver: “pelo trabalho autônomo de sua própria mente ou como um parasita alimentado pela mente de outros” (679). A única maneira de superar parasitas como Toohey é nunca conceder a eles acesso às nossas mentes, nem aos nossos recursos.

A nascente e seus personagens têm grande significado cultural; eles nos ajudam a reconhecer a influência perigosa do coletivismo sobre a alma do homem, de modo a impedi-lo de entrar na nossa.

Trabalhos citados Rand, Ayn. Atlas Shrugged. Signet, 1992. Rand, Ayn. The Fountainhead. Signet, 1993. Rand, Ayn. Anthem. Signet, 1996.

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Traduzido por Hellen Rose.

Revisado por Matheus Pacini

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