Roberto Rachewsky



O que é felicidade? Algumas reflexões


A felicidade é um estado de espírito que conjuga propósitos e realizações. De nada adianta ter muitos propósitos, e não realizá-los. De nada adianta ter muitas realizações, e ver que nenhuma delas atende seus propósitos. A lacuna entre propósitos não realizados e realizações sem sentido gera uma profunda infelicidade, a ponto de a mente produzir uma sensação frustrante, um vazio que por fim será preenchido por ressentimentos, ilusões, raiva, inveja, pena de si próprio e miséria espiritual.

Esse estado de espírito reveste que o aceita com véus que inibem a clara observação da realidade, instigando fantasias e perversões que só tem um remédio: a amargura das desilusões. Desilusão nada mais é do que o choque entre nossa imaginação e a realidade, entre o que gostaríamos que fosse e o que é.

Como vocês ousam roubar nossos sonhos? Como ousam mostrar que o que eu achava ser impossível é possível? Como ousam aproveitar a vida com coisas criadas à revelia da minha vontade? Como ousam ser felizes me deixando para trás para viver a minha infelicidade? Como ousam?

A vida é por si só uma janela de oportunidade que alguns aproveitam para criar, enquanto outros para destruir, valores. Não vamos nos iludir, há sim um conflito permanente que decorre da busca incessante da felicidade individual.

Uns acreditam que o universo é benevolente, que tudo que existe permite que possamos buscar aquele estado de espírito que preenche a nossa alma com orgulho, amor e admiração. Outros veem na nossa existência uma ameaça ao cosmos porque se iludem com nossa capacidade de desencadear as forças malévolas do universo que nos cerca e que carregamos dentro de nós.

Podemos ser microscópicos perante a infinitude do tempo e espaço, porém a nossa consciência nos torna gigantes perante a natureza. Nossa felicidade só pode ser alcançada se tivermos a devida compreensão da importância da autoestima, da necessidade de usar a razão para lidar com as coisas que percebemos e sentimos, e da responsabilidade intransferível de construir nosso próprio destino.

“Como ousam roubar nossos sonhos?” é uma questão retórica que significa apenas onde estão os meus propósitos e, se os tenho, como vocês ousam me impedir de realizá-los?

A vida é uma oportunidade experimentada individualmente. Quanto mais liberdade, maior a possibilidade de pensarmos e agirmos para eleger nossos propósitos e realizá-los.

A felicidade é possível, basta olharmos a realidade como ela é e entendermos como nossa consciência pode interagir com a natureza a fim de extrair das coisas existentes e de nosso próprio ser aquilo que nos fará dizer ao mundo: vejam, sintam, pensem, ajam, como ousam ser tão infelizes com tudo isso que é possível usufruir pela criação pacífica e cooperativa de riqueza, sem culpas e sem rancores?

Tampouco nos iludamos. Há os que criam e há os que só consomem. Odiar quem cria aquilo que consumimos fala mais de quem odeia do que de quem cria. A pergunta que não quer calar: como os criadores de riqueza, que carregam o mundo nas costas, ousam oferecer a felicidade para quem merece e deseja ser infeliz?

Essa é a questão existencial que não tem solução.

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Revisado por Matheus Pacini.

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