Monark esqueceu que a liberdade de expressão também garante o não ouvir

Mal começou o ano e as polêmicas envolvendo os limites à liberdade de expressão já tomam as manchetes. Ayn Rand já dizia – e não podemos esquecer – que o termo “censura” só se aplica às ações dos governos, não contemplando a atuação de entes privados, já que nenhum indivíduo ou agência particular pode silenciar um homem ou impedir uma publicação. Rand infere que a liberdade de expressão abrange o direito de não concordar, de não escutar e de não financiar ideias dos próprios antagonistas.

Criadora do sistema filosófico “Objetivismo”, Rand afirmou que o direito de discordar é crucial para a sociedade e que ele é protegido pelo direito à propriedade privada, possível apenas sob a égide de um sistema capitalista.

Com isso em mente, lembremos que, no inicio de fevereiro, o Flow Podcast anunciou o desligamento do apresentador Monark após uma fala tida como antissemita. Ele pediu desculpas pela fala infeliz, explicando que não apoiava o nazismo, mas que não soube construir o raciocínio desejado.

Tarde demais. Os fiscais de virtudes alheias já o haviam julgado e o cancelamento se seguiu.

O Flow é um podcast de muita repercussão e Monark foi, no mínimo, imprudente se acreditou que sua espontaneidade (para não dizer, despreparo) no trato de certos assuntos não traria consequências.

O contexto traz um apresentador exercendo seu direito à liberdade de expressão, ainda que a sua fala tenha sido equivocada; a turma barulhenta do politicamente correto, que não se preocupa em analisar os fatos, mas em julgar cortes; uma lista de patrocinadores insatisfeitos querendo terminar a parceria e; uma parcela de pessoas que saiu em defesa do Monark, combatendo os virtuosos de rede social.

Em meio a esse novelo cheio de nós, Monark requereu a abertura de um novo canal para chamar de seu no YouTube. Ele divulgou a resposta, na qual a plataforma atesta prezar pelo exercício da influência pautada pela responsabilidade, assinalando que o acontecimento envolvendo a temática nazista violaria as políticas da empresa, suspendendo, portanto, qualquer monetização do novo canal.

O posicionamento do YouTube abriu novamente a discussão acerca da liberdade de expressão, na medida em que parte das pessoas, incluindo o próprio Monark, argumentou de que se tratava de perseguição política e censura.

O YouTube não impediu Monark de criar um novo canal, mas suspendeu a monetização do conteúdo.

Considerando que as regras de utilização concernentes a empresas privadas atendem, também, a preceitos próprios, a limitação do serviço provido igualmente se encontra no seu raio de atuação.

Nesse ponto, vale lembrar que, apesar de ser uma empresa privada, o YouTube é uma plataforma de compartilhamento de vídeos que não se responsabiliza pelo que é dito por seus usuários. A atuação moderadora da plataforma, todavia, acende um sinal amarelo, na medida em que a edição de conteúdo tem o condão de torná-la responsável por tudo que é publicado.

De forma geral, entretanto, devemos ter em mente que empresas privadas estão sujeitas aos fenômenos de mercado, dependem de lucro para existir e que se submetem, em última instância, à supremacia do consumidor.

Certamente o termômetro do consumidor teve papel preponderante para a tomada de decisão do YouTube. O que não se pode aferir com precisão, todavia, é se essa é a verdadeira motivação por trás da decisão da plataforma.

O fato é que Monark e o produto vinculado às suas ideias deixou de ser atraente para o ente privado com o qual ele estava associado. O mais curioso é que, sob o argumento da defesa das liberdades, Monark critica o posicionamento de uma empresa privada, cuja decisão se pautou no mesmo direito à liberdade que ele defende.

Diferentemente da censura outrora institucionalizada, hoje a liberdade da mente é sufocada de forma muito mais pujante, por meio de reiteradas ações coletivistas que disseminam a ideia de que a recusa em financiar um oponente é uma violação da liberdade de expressão.

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Revisado por Matheus Pacini.

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