Objetivismo Brasil - A Filosofia de Ayn Rand em Português.

Educação socializada e a ascensão do Socialismo

Atualmente, existe uma preocupação com respeito à dissociação do Ocidente liberal dos ideais iluministas que, ao longo da história, distinguiram as sociedades livres das sociedades autoritárias. Sob os governos ocidentais contemporâneos, os indivíduos expandiram suas liberdades pessoais – por exemplo, a sexual e a intoxicativa (a liberdade para o uso de drogas). Mas, no que tange às liberdades econômica e intelectual – o direito de usufruir sua riqueza e liberdade de expressão como lhe convir – parecem estar cada vez mais ameaçadas. Programas assistencialistas de bem-estar social como o “Obamacare” ignoram as prerrogativas financeiras dos cidadãos, enquanto a cultura de doutrinação política nas universidades ameaça destruir a barreira imposta pela Primeira Emenda (seção da Constituição dos Estados Unidos que impede o Congresso de legislar acerca de questões religiosas, de liberdade de expressão, de imprensa, etc). Como monstros em um filme de terror hollywoodiano, as forças que ameaçam as muralhas da liberdade parecem implacáveis e, de certo modo, irresistíveis. Qual é a origem dessas forças? E porque parecem tão poderosas?

Com observado por David Hume, filósofo britânico do século XVIII:

Nada parece mais surpreendente para os que ponderam assuntos humanos com um olhar filosófico do que a facilidade com que muitos são governados por poucos… Quando perguntamos de que maneira essa maravilha é efetuada, descobrimos que, como a força está sempre ao lado dos governados, os governantes não têm nada que os apoie, senão a opinião.

A observação de Hume aponta para uma verdade complexa sobre os seres humanos e suas sociedades: foram primeiro dominados por pensamentos, “opiniões” e ideias, e não por força bruta. Isto implica que, quando uma sociedade livre se vê ameaçada por abominações políticas e culturais, faz-se necessário avaliar os covis de onde saíram essas ideias, os intelectuais monstruosos que as representam, e as instituições que lhes dão suporte a fim de encontrar a fonte dessas forças perigosas.

A religião foi a primeira fonte de ideias e instituições ideológicas que minaram a liberdade humana. Os primeiros dogmáticos autoritários eram teístas que defendiam a existência de um Deus ou deuses e, então, afirmavam que apenas estes e seus representantes possuíam o direito de controlar os seres humanos, sua riqueza e sua política.

Mais tarde, pensadores autoritaristas, sendo Platão o mais notável e, depois, filósofos como Descartes, Kant e Hegel, consagraram argumentos de cunho fundamentalmente religioso, em uma tentativa de se aproveitarem intelectualmente do prestígio crescente da ciência secular. Essas reformulações de antigos dogmas teocráticos acabaram se transmutando em doutrinas políticas como o marxismo e o fascismo.

Mas doutrinas autoritárias, sejam ateístas ou seculares, não vêm dominar as culturas políticas do mundo apenas porque foram defendidas de maneira persistente por teólogos e filósofos inteligentes. Pelo contrário, os defensores do autoritarismo criaram grandes instituições ideológicas de doutrinação, tais como igrejas estatais, escolas estaduais, jornalismo, ciência e arte do Estado. Tais instituições abafam ideias conflitantes e envolvem um grande número de pessoas em uma única matriz – um útero intelectual – de dogma autoritário.

Mas nós, no Ocidente, temos reais motivos para temer a erosão de nossas liberdades pela influência de teologias autoritárias, ideologias ou veículos de doutrinação? Afinal, nossa sociedade não está sujeita ao mecanismo de controle mental de um estado autoritário. Ainda assim, se Hume estiver correto, e a principal forma para determinar o curso político da sociedade for a “opinião”, não deveríamos examinar as instituições formadoras de opinião de nossa sociedade como possível fonte das forças que cada vez mais parecem restringir nossas liberdades?

No Ocidente contemporâneo, as principais instituições capazes de moldar opiniões e disseminar ideias são as antigas escolas públicas, financiadas pelo governo. São estas as grandes fontes intelectuais das quais jorram ideias para as mentes dos futuros editores de jornais, produtores de rádio, roteiristas de Hollywood, compositores, cientistas, políticos, professores, juristas e assim por diante. Mas então, surge a questão: por que nossas liberdades seriam desgastadas se nossas opiniões estão sendo moldadas em escolas ainda relativamente livres da nossa sociedade livre? Talvez porque essas escolas estão subvertendo opiniões sobre as quais se baseiam as sociedades livres.  

Os críticos da moderna cultura acadêmica ocidental observam o crescimento da lista ideológica de nossas faculdades e universidades, notando uma inclinação nítida e sinistra: a hostilidade escancarada frente a ideias e instituições sobre as quais as sociedades livres se estabeleceram. Nesse sentido, um editorial recente do New York Times citou o professor de direito de Yale, Stephen Carter, aventurando “que o verdadeiro prenúncio de um futuro autoritário não reside na Casa Branca, mas nos jardins das universidades.”

Então, o que há no ambiente acadêmico atual e nas escolas públicas em geral, que poderia inspirar ideias que simpatizam com o autoritarismo e antipatizam com o liberalismo? Existe alguma coisa intrínseca à própria natureza de nossas escolas públicas e “privadas” (aspas aqui por serem subsidiadas pelo governo) que incita seus administradores e professores a se oporem aos direitos e liberdades mais fundamentais de seus concidadãos?

Gostaria de argumentar que há de fato algo elementar sobre a natureza das escolas públicas que nunca deveria cair no esquecimento: sua subsistência depende de subsídios governamentais retirados dos cidadãos de maneira coerciva.

Como observado pelo cientista político C. Bradley Thompson, “o sistema público de educação é criado e gerido pelo governo, um monopólio que abarrota salas de aula com dezenas de milhões de estudantes por meio de frequência obrigatória e leis de evasão, e cujo funcionamento depende do dinheiro tirado de forma coerciva dos contribuintes americanos.” E assim como o ensino fundamental, as universidades também se tornaram, nas palavras de Luigi Zingales, professor de economia da University of Chicago, “a indústria mais subsidiada”, com total dependência do apoio governamental para sua manutenção.

Entretanto, um princípio fundamental das sociedades livres afirma que as relações econômicas entre as pessoas devem ser voluntárias, jamais coercivas. Esse princípio é uma implicação lógica dos fundamentos mais profundos da filosofia política liberal que garante a liberdade individual afirmando a autoridade do indivíduo sobre sua própria vida, e sobre os frutos de seu trabalho. Então, quando é concedido aos professores do sistema público o privilégio de forçar as pessoas a pagarem seus salários e comprarem seus serviços, como fazem quando estão sendo subsidiados, estes possuem um incentivo financeiro a se opor não apenas à filosofia específica que estabelece os direitos econômicos essências das pessoas, mas também a todos os princípios filosóficos subjacentes.

Portanto isso, com certeza, é a razão pela qual tantas pessoas estão abandonando a “opinião” liberal que balizou a criação das nações livres do Ocidente. Como nossos educadores subsidiados parecem ter determinado que tais princípios são uma ameaça aos seus privilégios, estão utilizando o instrumento institucional de formação de opinião pública mais poderoso que existe – as salas de aula e os auditórios onde as mentes dos jovens são moldadas – para doutriná-los contra os conceitos que apoiam a liberdade como um valor político.

No último século, e em particular, nas últimas décadas, a má conduta desses educadores corroeu de maneira severa o apoio intelectual à liberdade e inspirou uma demanda pública por soluções autoritárias – socialistas – para todo problema, seja ele público ou privado. Se esse processo continuar, e irá se nada for feito, chegaremos em breve a um “futuro autoritário.”

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Publicado originalmente em The Undercurrent.

Traduzido por Verônica Ferrari Cervi.

Revisado por Matheus Pacini.

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