Ayn Rand, a mulher que assumiu o controle de seu destino e criou uma filosofia

Ricardo Manuel Rojas sobre o legado de Ayn Rand

Razão, ética, política e estética: qualquer que seja o ramo da filosofia, o núcleo fundamental de todas as ações é o indivíduo. Ayn Rand, que nasceu e viveu na Rússia dos czares, que sofreu as devastações do comunismo e de seus axiomas coletivistas, teve que desaprender o que aprendera para forjar um novo pensamento.

Ela emigrou para os Estados Unidos, o coração do capitalismo. Plasmou sua obra literária e filosófica nesse contexto e, um século depois, é a nação que orientou as sociedades avançadas.

O legado da filósofa russa, seu pensamento, filosofia, obra e vida foram tratados em uma palestra do ex-juiz Ricardo Manuel Rojas em um evento online organizado pela The Bastiat Society of Argentina.

Na metafísica, o ramo da filosofia que estuda a realidade, Rand explica que a realidade existe e que é independente da consciência das pessoas.

Na epistemologia, ramo filosófico que estuda o conhecimento, Rand enfatiza que a razão é a faculdade que permite ao homem conhecer, exercer sua racionalidade e pensar de forma independente, individual e voluntária. Cada pessoa usa sua razão por decisão deliberada e, segundo Rojas, esta é uma grande contribuição de Rand ao individualismo e às ideias de liberdade, dado que outros autores não focam no assunto.

Na ética, Rand argumenta que é um código de valores que a pessoa escolhe para guiar suas ações. Rojas explica que cada pessoa escolhe seus próprios valores e, de acordo com eles, obterá resultados.

Na política, Rand estuda a relação dos seres humanos uns com os outros num sistema social. Rojas apresenta sua teoria do governo como entidade responsável por proteger os direitos individuais e resolver conflitos evitando o uso da força entre as pessoas. Ninguém tem o direito de iniciar o uso da força sobre os outros, sendo ela exercida só contra aqueles que iniciam o seu uso.

Segue disso que o governo não deve ser mantido através de impostos, mas de contribuições voluntárias do povo, que incentiva o governo a ser eficiente. Do contrário, ninguém desejaria pagar para sustentá-lo.

Na estética, Rand estuda a arte como meio de expressão dos valores do artista.

A seguir, Rojas enumera quatro elementos básicos da filosofia objetivista, relacionados aos ramos explicados anteriormente, que permitem ao indivíduo decidir como viverá sua vida: realidade, razão, interesse próprio, capitalismo.

A pessoa precisa de uma filosofia para viver, para conhecer o mundo onde vive, para saber o que é necessário para sua subsistência e o que deve fazer para conquistar seus valores. O sistema adequado para uma pessoa pensar, decidir e agir livremente é o sistema que favorece o comércio e as trocas pacíficas entre elas, a realização/conquista do interesse próprio, ou seja, o capitalismo.

No final, Rojas destaca a contribuição de Rand para a liberdade com seu conceito de egoísmo racional, que é a busca do interesse próprio (autointeresse), em oposição ao altruísmo introduzido por Comte, que destaca o sacrifício de si para satisfazer os outros e que, indevidamente, é associado à benevolência.

Na conclusão, Rojas afirma que Ayn Rand – ao contrário de outros autores – fez contribuições consistentes à ética. Como grande individualista, no centro de sua filosofia está o indivíduo que age livremente, usa a razão para atingir seus objetivos e se relaciona livremente com os outros através de acordos livres e voluntários, rejeitando a força ou a fraude para obter o imerecido.

Um grande mérito da ética de Rand é que seu ponto de partida não são valores pré-digeridos, mas a reflexão de o porquê o ser humano precisa de valores, identificando-os objetivamente de acordo com os requisitos da natureza humana. Daí decorre que cada pessoa, para atingir seus objetivos, viver cada vez melhor e se relacionar bem, deve praticar a honestidade, a produtividade, a justiça e a independência.

Diante do exposto pelo Dr. Rojas, é evidente que o trabalho de Rand merece um estudo cuidadoso e detalhado, pois nos serve em dois níveis: no individual, por nos ajudar a compreender nossa própria vida, direcionar nossas ações e escolher objetivamente nossos valores. E no geral, por suas contribuições originais, sua revitalização das ideias de liberdade e sua influência sobre outros intelectuais, tão fundamentais para explicar e compreender o mundo em que vivemos e as correntes de pensamento que o dominam.

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Publicado originalmente em Visión Liberal.

Tradução de Hellen Rose.

Revisado por Matheus Pacini.

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