PIRÂMIDE DE HABILIDADE

“Enxerguem além do momento presente, vocês que exclamam que temem competir com homens de inteligência superior, que a mente deles é uma ameaça à sua subsistência, que os fortes não dão chances aos fracos num mercado de comércio voluntário. O que determina o valor material do seu trabalho? Nada senão o esforço produtivo da sua mente. Se vocês vivessem numa ilha deserta, quanto menos eficiente o seu cérebro, menos renderia seu trabalho físico – e vocês poderiam passar a vida toda realizando uma mesma tarefa sempre repetida, fazendo uma plantação rudimentar e caçando com arco e flecha, incapazes de ir além disso. Mas quando vivem numa sociedade racional, em que os homens são livres para comerciar, vocês recebem uma vantagem preciosa: o valor material do seu trabalho é determinado não apenas pelos seus esforços, mas também pelos esforços das mais brilhantes mentes produtivas que há no mundo que os cerca.

“Quando vocês trabalham numa fábrica moderna, são pagos não apenas pelo seu trabalho, mas também por toda a genialidade produtiva que tornou possível aquela fábrica: pelo trabalho do industrial que a construiu, pelo do investidor que economizou dinheiro para arriscá-lo num empreendimento novo, pelo do engenheiro que projetou as máquinas que vocês estão operando, pelo do inventor que criou o bem que vocês produzem no seu trabalho, pelo do cientista que descobriu as leis envolvidas na produção desse bem, pelo do filósofo que ensinou os homens a pensar – por tudo aquilo que vocês vivem criticando.

“A máquina, forma concretizada de uma inteligência viva, é o poder que amplia o potencial da sua vida aumentando a produtividade do seu tempo. Se vocês trabalhassem como ferreiros na Idade Média dos místicos, toda a sua capacidade de ganhar dinheiro se resumiria a uma barra de ferro produzida pelas suas mãos após dias e mais dias de trabalho. Quantas toneladas de trilhos vocês produzem por dia se trabalham para Hank Rearden? Ousariam dizer que a quantia que ganham foi criada apenas pelo seu trabalho físico e que aqueles trilhos são o produto dos seus músculos? O padrão de vida daquele ferreiro medieval é tudo a que os seus músculos fazem jus; o restante é um presente de Hank Rearden.[1]

 

“Em proporção à energia mental que gastou, o homem que cria uma nova invenção só recebe uma pequena porcentagem de seu valor em termos de pagamento material, por maior que seja a fortuna que ganhe. Porém o que trabalha como faxineiro na fábrica que produz essa invenção recebe um pagamento enorme em proporção ao esforço mental que seu trabalho exige dele. E o mesmo se dá com todos os cargos intermediários, em todos os níveis de ambição e capacidade. O homem que se encontra no topo da pirâmide intelectual contribui para todos aqueles que se encontram embaixo, mas não recebe nada mais do que seu pagamento material, sem receber nenhum bônus intelectual dos outros que se acrescente ao valor do seu tempo. O homem na base da pirâmide, que sozinho morreria de fome por causa de sua total inépcia, não contribui com nada para aqueles que se encontram acima, porém recebe o bônus de todos os seus cérebros. É essa a natureza da ‘concorrência’ entre os intelectualmente fortes e os fracos. É essa a ‘exploração’ em consequência da qual vocês maldizem os fortes.[2]

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Revisão de Matheus Pacini

Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon.

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[1] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.389

[2]RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.391