MENTE ABERTA VERSUS MENTE ATIVA

Se você empreende a tarefa de detecção filosófica, abandone o perigoso bordão que lhe aconselha a ter uma "mente aberta". Esse é um termo muito ambíguo, como demonstrado por um homem que certa vez acusou um político famoso de ter uma "mente muito aberta". Esse termo é um anticonceito. Esse termo é considerado sinônimo de uma abordagem objetiva e imparcial às ideias, mas é usado como um apelo ao ceticismo perpétuo, à falta de convicções fortes, e à concessão de plausibilidade a tudo.

Uma "mente fechada" normalmente é sinônimo de um homem imune a ideias, argumentos, fatos e lógica, que defende teimosamente uma mistura de suposições vazias, bordões da moda, preconceitos tribais e emoções. Mas essa não é uma "mente fechada", mas sim uma "mente passiva". É uma mente que dispensou ou nunca adquiriu a prática do pensar e julgar, e se sente ameaçada quando pedimos que reflita sobre algo.

O que a objetividade e o estudo da filosofia exigem não é uma "mente aberta", mas uma "mente ativa", uma mente capaz e disposta a examinar ideias criticamente. Uma "mente ativa" não iguala verdade à falsidade, não flutua para sempre em um vácuo estável de neutralidade e incerteza. Ao assumir a responsabilidade do julgamento racional, a "mente ativa" alcança convicções e as defende. Como ela é capaz de prová-las, uma "mente ativa" alcança uma certeza inatacável quando confrontada com a incerteza. Uma certeza livre de fé cega, de aproximações, de evasão e de medo. Se você mantiver uma "mente ativa", você descobrirá, supondo que você parte da racionalidade, que todo o desafio em seu caminho fortalecerá as suas convicções; de que a rejeição consciente e racional de teorias falsas o ajudará a clarificar e amplificar as verdadeiras; que seus inimigos ideológicos o tornarão invulnerável, ao oferecer incontáveis demonstrações de sua própria impotência.[1]

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Tradução de Matheus Pacini.

Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon.

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[1] RAND, Ayn. Philosophy: Who Needs It. New York: Penguin Books,  1971, p. 21