AXIOMAS

“Um axioma é uma afirmação que identifica a base do conhecimento e de qualquer outra afirmação pertinente àquele conhecimento, uma afirmação necessariamente contida em todas as outras, queira determinado falante identificá-la ou não. Um axioma é uma proposição que derrota seus adversários pelo fato de que eles têm que aceitá-la e utilizá-la no processo de qualquer tentativa de negá-la.[1]

 

“A existência existe, e o ato de apreender essa afirmação implica dois axiomas corolários: que existe algo que se percebe, e que aquele que percebe existe como possuidor de uma consciência, sendo esta a faculdade de perceber aquilo que existe.

“Se nada existe, não pode haver consciência: uma consciência que não tenha nada de que possa ser consciente é uma contradição. Uma consciência consciente apenas de si própria é uma contradição: para que possa se identificar com a consciência, ela tem de previamente ser consciente de algo. Se aquilo que se afirma perceber não existe, o que se tem não é consciência.

“Qualquer que seja o grau de conhecimento que se tem, estas duas coisas – existência e consciência – são axiomas inevitáveis; são os elementos básicos irredutíveis e imprescindíveis a toda e qualquer ação empreendida, em qualquer parte do conhecimento e em sua totalidade, desde o primeiro raio de luz que se percebe ao nascer até a mais vasta erudição que se pode ter adquirido ao fim da vida. Quer se conheça a forma de um seixo, quer a estrutura de um sistema solar, os axiomas permanecem os mesmos: a coisa existe e vocês a conhecem.

“Existir é ser alguma coisa, em oposição ao nada da não existência. É ser uma entidade de natureza específica dotada de atributos específicos. Há séculos, o homem que foi o maior dos filósofos, apesar de seus erros, enunciou a fórmula que define o conceito de existência e a regra de todo conhecimento: A é A. Uma coisa é o que é. Vocês jamais apreenderam o significado dessa afirmação. Estou aqui para completá-la: a Existência é Identidade, a Consciência é Identificação.[2]

 

‘Não se pode provar que se existe e se é dotado de consciência’, afirmam, silenciando o fato de que a prova pressupõe a existência, a consciência e um complexo encadeamento de conhecimentos: a existência de algo a saber, de uma consciência capaz de sabê-lo, de um conhecimento que distinga entre conceitos tais como provado e não provado.

“Quando um selvagem que não aprendeu a falar declara que a existência tem de ser provada, ele está pedindo que ela seja provada pela não existência. Quando afirma que sua consciência tem que ser provada, está pedindo que ela seja provada pela inconsciência – está pedindo que se passe para um vácuo fora da existência e da consciência para lhe fornecer uma prova de ambas; está pedindo que a pessoa se torne um zero adquirindo conhecimentos a respeito de um zero. “Quando ele declara que um axioma é uma questão de escolha arbitrária e opta por não aceitar o axioma de que o axioma existe, silencia o fato de que o aceitou ao pronunciar aquela frase, silencia o fato de que o único modo de rejeitá-lo é fechar a boca, não propor teoria alguma e morrer.[3]

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Revisão de Matheus Pacini

Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon.

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[1] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.364

[2] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.338

[3] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.363