ABSOLUTOS

Uma das principais controvérsias que surgem na discussão de um assunto é a tentativa falaciosa recorrente de quem afirma: “não existem absolutos” ou “não existe verdade absoluta”.

Além de incorrer numa contradição, pois ao fazer tais afirmações, está proclamando um absoluto, tal indivíduo está se evadindo de uma série de verdades irrefutáveis, indivisíveis e inquestionáveis, percebidas e identificadas com obviedade axiomática.

É impossível negar que a existência, a vida, a morte, o universo, o mundo, a gravidade, o vácuo, a chuva, o calor, a razão, a dor, o homem, a fome, o pão, o trabalho e o roubo existem, e que a mera percepção já lhes concede o caráter de absolutos.

A realidade impõe-se absolutamente, exigindo o uso da razão de tal sorte a evitar evasões e incertezas.

Precisamos entender – através da racionalidade – o que a realidade nos apresenta de modo a podermos identificar e estabelecer os códigos morais que nos permitirão viver mais e melhor enquanto desfrutamos a nossa existência.

Buscar verdades absolutas é o único caminho que nos permite estabelecer o que é verdadeiro ou falso a respeito do universo em que estamos inseridos. A busca resulta, eventualmente, na construção de um código moral que determinará o que é certo e o que é errado para a nossa vida na Terra, não importando se estamos sós ou acompanhados num contexto social.[1]

 

‘Não há absolutos’, afirmam, silenciando o fato de que estão exprimindo um princípio absoluto.[2]

Um código moral impossível de praticar, que exige a imperfeição e a morte, lhes ensinou a dissolver todas as ideias numa neblina, a não permitir definições firmes, a considerar todos os conceitos aproximações e todas as regras de conduta elásticas, a achar exceções a todos os princípios, a transigir em todos os valores, a ficar sempre no meio. Ao obrigá-los, por meio de extorsão, a aceitar absolutos sobrenaturais, esse código os forçou a rejeitar o absoluto da natureza.[3]

A realidade é absoluta, a existência é absoluta, um grão de poeira é absoluto e uma vida humana também é absoluta. Viver ou morrer é algo absoluto. Ter um pedaço de pão ou não tê-lo, isso também é algo absoluto. Poder comer o pão ou vê-lo ser devorado por um saqueador, isso também é algo absoluto.[4]

 

Assim como em epistemologia o culto da incerteza é uma revolta contra a razão — também, na ética, o culto da moral cinzenta é uma revolta contra os valores morais. Ambos são uma revolta contra o absolutismo da realidade.[5]

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Revisão de Matheus Pacini

Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon.

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[1] Escrito por Roberto Rachewsky, e publicado no app Objetivista, disponível na Play Store.

[2] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.378-379

[3] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.378-379

[4] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.378-379

[5] RAND, Ayn. A Virtude do Egoísmo. Trad. de On Line-Assessoria em Idiomas. Porto Alegre: Ed. Ortiz/IEE, 1991. p.100