ORGULHO

Orgulho é o reconhecimento do fato de que vocês mesmos são o seu mais elevado valor e, como todo valor, precisa ser merecido; de que, de todas as realizações que vocês podem concretizar, a que torna todas as outras possíveis é a criação do seu caráter; de que o seu caráter, os seus atos, as suas emoções são produtos das premissas da sua mente; de que, assim como o homem tem de produzir os valores físicos de que necessita para se manter vivo, ele também precisa adquirir os valores do caráter que tornam sua vida merecedora de existir; de que, assim como o homem é um ser que cria a própria riqueza, ele também cria a própria alma; de que não tendo consciência automática de seu amor-próprio, ele precisa fazer jus a esse sentimento, moldando sua alma à imagem de seu ideal moral, à imagem do Homem, o ser racional que nasce capaz de criar, porém tem de criar por escolha; de que a primeira precondição do amor-próprio é aquele radiante egoísmo da alma que deseja o que há de melhor em todas as coisas, nos valores da matéria e do espírito, uma alma que busca acima de tudo a conquista de sua própria perfeição moral, não tendo nenhum valor mais alto do que ela própria – e que a prova de que se atingiu o amor-próprio é constatar que a alma estremece de desprezo e rebeldia ante o papel de animal oferecido em sacrifício, ante a vil impertinência de qualquer doutrina que proponha imolar o valor insubstituível que é a sua consciência, e a glória incomparável que é a sua existência, em prol das evasivas cegas, da decadência e estagnação de outrem.[1]

 

A virtude do Orgulho pode ser melhor descrita pelo termo: “ambição moral”. Significa que um indivíduo deve conquistar o direito de considerar a si próprio como seu mais alto valor, através da realização de sua própria perfeição moral. A perfeição moral se conquista não aceitando jamais códigos de virtudes irracionais impossíveis de serem praticados e nunca deixando de praticar as virtudes que se reconhece serem racionais — se conquista não aceitando jamais uma culpa imerecida e nunca merecendo alguma ou, se efetivamente a mereceu, nunca deixando-a sem correção — nunca resignando-se passivamente diante de qualquer imperfeição em seu caráter pessoal — não colocando jamais nenhuma preocupação, desejo, medo ou estado de espírito momentâneo acima da realidade de sua própria autoestima. E, acima de tudo, significa a sua rejeição do papel de animal de sacrifício, a rejeição de qualquer doutrina.[2]

_______________________________________

Revisado por Matheus Pacini

Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon

Curta a nossa página no Facebook.

Inscreva-se em nosso canal no YouTube.

__________________________________________

[1] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p.343

[2] RAND, Ayn. A Virtude do Egoísmo. Trad. de On Line-Assessoria em Idiomas. Porto Alegre: Ed. Ortiz/IEE, 1991. p.37