RACIONALIDADE

Racionalidade é a virtude básica do homem, a fonte de todas as suas outras virtudes. O vício básico do homem, a fonte de todos os seus males, é o ato de desfocar sua mente, a suspensão de sua consciência, o qual não é cegueira, mas a recusa de ver, e não é ignorância, mas a recusa de saber. A irracionalidade é a rejeição do meio de sobrevivência do homem e, portanto, um compromisso para um rumo de destruição cego; aquilo que é anti-mente, é anti-vida.

 

A virtude da Racionalidade significa o reconhecimento e aceitação da razão como a nossa única fonte de conhecimento, nosso único juízo de valores e nosso único guia de ação. Significa nosso total comprometimento para com um estado de atenção pleno e consciente, com a manutenção de um foco mental completo em todas as questões, em todas as escolhas, em todas as nossas horas de vigília. Significa um compromisso com a mais completa percepção da realidade dentro de nossas possibilidades e com a expansão ativa e constante de nossa percepção, isto é, de nosso conhecimento. Significa um compromisso com a realidade de nossa própria existência, isto é, com o princípio de que todos os nossos objetivos, valores e atos acontecem dentro da realidade, e, portanto, que não devemos nunca colocar nenhum valor ou consideração, em absoluto, acima de nossa percepção da realidade. Significa um compromisso com o princípio de que todas as nossas convicções, valores, objetivos, desejos e ações devem ser baseados em, derivados de, escolhidos e validados por um processo de pensamento — um processo de pensamento tão preciso e tão escrupuloso, dirigido por uma aplicação implacavelmente rígida da lógica, quanto a nossa mais completa capacidade permitir. Significa nossa aceitação da responsabilidade de formar nossos próprios julgamentos e de viver pelo trabalho de nossa própria mente (que é a virtude da Independência). Significa que não devemos nunca sacrificar nossas convicções às opiniões ou desejos de outros (que é a virtude da Integridade) — que nunca devemos tentar falsear a realidade, por qualquer maneira que seja (que é a virtude da Honestidade) — que nunca devemos procurar ou conceder o inobtido e o imerecido, nem em matéria, nem em espírito (que é a virtude da Justiça). Significa que nunca devemos desejar efeitos sem causas, e que nunca devemos decretar uma causa sem assumir a total responsabilidade por seus efeitos — que não devemos nunca agir como um zumbi, isto é, sem saber nossos próprios propósitos e motivos — que nunca devemos tomar nenhuma decisão, formar qualquer convicção ou procurar qualquer valor fora de contexto, isto é, separado ou em contradição com a soma total e integrada de nosso conhecimento — e, acima de tudo, que nunca devemos procurar evadir-nos com contradições. Significa a rejeição de toda e qualquer forma de misticismo, isto é, qualquer apelação a alguma fonte de conhecimento não sensorial, não racional, não definível, sobrenatural. Significa um compromisso com a razão, não em momentos esporádicos, em questões selecionadas, ou em emergências especiais, mas como uma filosofia de vida permanente.[1]


“Racionalidade é o reconhecimento do fato de que a existência existe, de que nada pode alterar a verdade e nada pode ter mais valor do que o ato de perceber a verdade, o pensamento de que a mente é o único árbitro de valores e único guia para a ação; de que a razão é um absoluto que não admite transigências; de que uma concessão ao irracional invalida a consciência e a faz falsificar a realidade ao invés de percebê-la; de que a fé, esse suposto atalho que leva ao conhecimento, é apenas um curto-circuito que destrói a mente; de que a aceitação de uma invenção mística é um desejo de aniquilamento da existência que aniquila a consciência.[2]

 

“Na medida em que um homem é racional, a vida é a premissa que orienta seus atos. Na medida em que ele é irracional, a premissa que orienta seus atos é a morte.[3]

 

“Um processo racional é um processo moral. Vocês podem cometer um erro em qualquer momento desse processo, tendo como única proteção o seu próprio rigor, ou então vocês podem tentar falsear o processo, utilizar dados falsos e se esquivar do esforço da busca – mas, se a dedicação à verdade é o que caracteriza a moralidade, então não existe uma forma de dedicação maior, mais nobre e mais heroica do que o ato de assumir a responsabilidade de pensar.[4]

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Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon

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[1] RAND, Ayn. A Virtude do Egoísmo. Trad. de On Line-Assessoria em Idiomas. Porto Alegre: Ed. Ortiz/IEE, 1991. p. 35-36

[2] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p. 341

[3] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p. 336-341

[4] RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. V III, p. 336-341