VALOR ÚLTIMO

Um valor supremo é aquele objetivo final para o qual todos os objetivos menores são meios — ele estabelece o critério pelo qual todos os objetivos menores são valorados. A vida de um organismo é o seu padrão de valor: aquilo que promove sua vida é o bem, aquilo que a ameaça é o mal.

Sem um objetivo último ou fim, não pode haver objetivos ou meios menores: uma série de meios que avançam em uma progressão infinita na direção de um fim inexistente é uma impossibilidade metafísico-epistemológica. É somente um objetivo último, um fim em si mesmo, que faz possível a existência de valores. Metafisicamente, a vida é o único fenômeno que é um fim em si mesmo: um valor ganho e mantido por um processo constante de ação. Epistemologicamente, o conceito de “valor” é geneticamente dependente e derivado do conceito antecedente de “vida”. Falar de “valor“ separadamente de “vida“ é pior que uma contradição em termos. “É somente o conceito de ‘vida’ que torna possível o conceito de ‘Valor’.”[1]

 

A manutenção da vida e a busca da felicidade não são duas questões separadas. Considerar a própria vida como o valor último, e a própria felicidade como o mais alto propósito, são dois aspectos da mesma realização. Existencialmente, a atividade de perseguir objetivos racionais é a atividade de manter a própria vida; psicologicamente, seu resultado, recompensa e concomitância é um estado emocional de felicidade. É experimentando a felicidade que o indivíduo vive plenamente cada hora, ano ou a totalidade da vida. E quando se experiencia o tipo de felicidade pura que é um fim em si mesma — o tipo que nos faz pensar: “por isso vale a pena viver” — o que estamos saudando e afirmando em termos emocionais é o fato metafísico de que a vida é um fim em si mesma.[2]

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Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon

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[1] RAND, Ayn. A Virtude do Egoísmo. Trad. de On Line-Assessoria em Idiomas. Porto Alegre: Ed. Ortiz/IEE, 1991. p.24

[2] RAND, Ayn. A Virtude do Egoísmo. Trad. de On Line-Assessoria em Idiomas. Porto Alegre: Ed. Ortiz/IEE, 1991. p.40