PREMISSA DO UNIVERSO BENEVOLENTE

Existe uma convicção fundamental que algumas pessoas nunca adquirem; algumas só a preservam em sua juventude; e outras poucas a defendem até os últimos dias de sua vida – a convicção de que as ideias importam... Que as ideias importam significa que o conhecimento importa, que a verdade importa, que a sua mente importa...

 

A consequência disso [dessa convicção] é a inabilidade de acreditar no poder ou no triunfo do mal. Não importa o tipo de corrupção que lhe rodeie, você é incapaz de considerá-la normal, permanente ou metafisicamente correta. Você sente que “essa injustiça (ou terror ou falsidade ou frustração ou dor ou agonia) é a exceção na vida, não a regra.” Você se sente seguro de que em algum lugar da terra – mesmo se não geograficamente próximo a você - um modo de vida apropriado é possível para os seres humanos, e a justiça importa.[1]

 

Embora acidentes e fracassos sejam possíveis, eles não são, de acordo com o Objetivismo, a essência da vida humana. Pelo contrário, a conquista de valores é a norma – isso para o homem moral, moral pela definição objetivista. Sucesso e felicidade são metafisicamente aquilo a ser esperado. Em outras palavras, o Objetivismo rejeita a visão de que a realização humana é impossível.

 

“Universo benevolente” não implica dizer que o universo tem boa vontade para com o homem ou que está determinado a ajudá-lo a atingir seus objetivos. Não, o universo é neutro, ele simplesmente é; é indiferente a você. Você deve prestar atenção e se adaptar a ele, e não o contrário. Mas a realidade é “benevolente” no sentido de que se você realmente se adaptar a ela – i.e., se você pensar, valorizar e agir racionalmente, então você pode (e, excluindo acidentes, você conseguirá) conquistar seus valores. Você conseguirá porque esses valores serão baseados na realidade.

 

Dor, sofrimento, fracasso não têm significância metafísica – eles não revelam a natureza da realidade. Os heróis de Ayn Rand, por essa razão, recusam-se a aceitar a dor seriamente, i.e., metafisicamente. Lembram quando Dagny estava no Vale de Galt e pergunta a Ragnar como sua esposa consegue suportar os meses que ele passa longe no mar e ele responde (citarei apenas parte dessa passagem):

 

“Nós não acreditamos que a tragédia é o nosso estado natural. Nós não vivemos com pavor crônico do desastre. Nós não esperamos o desastre até que tenhamos um motivo para esperá-lo e, se nós o encontramos, nós somos livres para combatê-lo. Não é a felicidade, mas o sofrimento, que nós consideramos não natural. Não é o sucesso mas a calamidade que nós consideramos como a exceção anormal na vida humana.”

 

É por isso que os heróis de Ayn Rand respondem ao desastre, quando ele surge, com uma única resposta instantânea: a ação – o que eles podem fazer? Se há uma mínima chance, eles se recusarão a aceitar a derrota. Eles farão o que puderem para enfrentar o perigo, porque eles agem sob a premissa de que o sucesso, e não o fracasso, é aquilo a ser esperado.[2]

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Tradução de Breno Barreto e Matheus Pacini

Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon

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[1] RAND, Ayn. “The Inexplicable Personal Alchemy,”Return of the Primitive: The Anti-Industrial Revolution, p. 122

[2] PEIKOFF, Leonard. The Philosophy of Objectivism. Aula 8.