DEMOCRACIA

“‘Democrático’, em seu significado original, refere-se ao comando ilimitado da maioria... um sistema social em que o trabalho, a propriedade, a mente e a vida de um indivíduo estão à mercê de qualquer gangue que possa reunir o voto de uma maioria a qualquer momento, e para qualquer finalidade.[1]”.

 

“Caso descartemos a moralidade e a substituamos pela doutrina coletivista do comando ilimitado da maioria, caso aceitemos a ideia que uma maioria pode fazer o que lhe aprouver e que qualquer coisa feita por essa maioria é correta porque é feita por uma maioria (sendo este o único critério de certo e errado) – como devem os homens aplicar isso em sua vida prática? Quem constitui a maioria? Em relação a cada homem em particular, todos os outros homens são membros em potencial dessa maioria que pode destruí-lo de acordo com a sua vontade e a qualquer momento. Daí cada homem e todos os homens tornam-se inimigos; cada um tem de temer e suspeitar de todos; cada um deve tentar roubar e assassinar primeiro, antes que seja roubado ou assassinado.”[2]

 

O sistema americano não é uma democracia. É uma república constitucional. Uma democracia o significado ao termo, é um sistema onde o comando da maioria é ilimitado; o exemplo clássico é a Atenas antiga. E o símbolo dela é o destino de Sócrates, que foi condenado à morte legalmente, porque a maioria não gostava do que ele estava a dizer, mesmo ele não tendo iniciado o uso da força ou tendo violado os direitos de ninguém.

 

A democracia, em suma, é uma forma de coletivismo, que nega os direitos individuais: a maioria pode fazer o que quiser sem quaisquer restrições. Em princípio, a democracia governamental é todo-poderosa. A democracia é uma manifestação totalitária; não é uma forma de liberdade...

 

O sistema americano é uma república constitucionalmente limitada, que se restringe à proteção dos direitos individuais. Em tal sistema, o comando da maioria é aplicável apenas a detalhes menores, como a seleção de certo pessoal. Entretanto, a maioria não tem nada a dizer sobre os princípios básicos que regem o governo. Ela não tem poder para reclamar ou ganhar a violação de direitos individuais.[3]

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Tradução de André Assis Barreto
Revisão de Matheus Pacini

Publicado originalmente em Ayn Rand Lexicon

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[1] RAND, Ayn. “How to Read (and Not to Write),” The Ayn Rand Letter, I, 26, 4 

[2] RAND, Ayn. “Textbook of Americanism,” The Ayn Rand Column, p. 89

[3] PEIKOFF, Leonard, The Philosophy of Objectivism lecture series, Lecture 9