Giuliano Miotto



Univers(O)tários no Reino da Inveja


Participo de um grupo de estudantes e professores ligado a uma universidade federal e, eventualmente, posto alguns links relacionados aos benefícios do livre mercado ou às mazelas da educação no Brasil. Em menos de um minuto, meu perfil recebe uma turba de pessoas ressentidas com o capitalismo, com o egoísmo dos empreendedores, com a falta de amor no mundo, defendendo algum tipo de ideia abstrata, sem qualquer fundamento.

Noutro dia, postei um estudo sobre o custo de milhares de pesquisas esdrúxulas que são bancadas com o dinheiro dos pagadores de impostos; obviamente, apareceram os zumbis falando do papel das universidades públicas brasileiras para o desenvolvimento da pesquisa, etc. Tentei confrontá-los com o fato de que o Brasil nunca teve um pesquisador premiado com um prêmio Nobel, além de que, infelizmente, grande parte dos recursos é destinado ao financiamento de pesquisas irrelevantes (como o problema do acesso dos gays aos sanitários) ou teses fantasiosas de um mundo pós-apocalíptico. Foram muitos comentários raivosos, porém vazios de quaisquer fatos que pudessem contradizer meus argumentos. Lamentações e mais lamentações ideológicas sem fundamento, bem como palavras de ordem. Conclusão? Descobri que sou um idiota, defendendo ideias absurdas.

Isso tudo me fez refletir sobre o porquê de essas pessoas defenderem um sistema tão absurdo que premia e promove a mediocridade, lembrando um famoso vídeo em que Ayn Rand fala sobre vivermos na Era da Inveja: as pessoas são atacadas não por suas falhas, mas por suas virtudes. Não sei dizer se foram as redes sociais que escancararam ainda mais esse tipo de comportamento destrutivo, ou se é uma tendência das últimas décadas. Mas duma coisa podemos ter certeza: o ambiente pró-esquerda gestado pós-1964 nas universidades públicas é perfeito para todo tipo de parasitas e pragas, dentre elas, pessoas que se acham mais especiais que outras não porque produzam algo de importante para a sociedade (ou por suas virtudes reais), mas só por sua capacidade de vitimização e, ao mesmo tempo, ação como “reis da piedade”, paladinos na luta por um mundo mais igualitário e mais justo. O seu discurso é sempre o mesmo, acusar quem não é da tribo de ser fascista, egoísta, machista, homofóbico, hidrofóbico e o que mais vier à mente. Tudo faz parte de uma estratégia de discurso, em que não importa a lógica, fatos ou argumentos, mas só enquadrar o ‘inimigo’ em algum desses termos e, quando isso não funcionar, partir para o soco.

Vivemos também a era dos lacradores profissionais. O resto da gangue vai ao delírio quando os reacionários e insensíveis defensores do capitalismo são humilhados na praça pública das redes sociais. Quase consigo ver a cara de satisfação deles por terem me colocado em meu devido lugar. Sei que isso parece insano, mas é real.

Acredito que a inveja, se acompanhada de ações nobres, converte-se em ambição. Não aquela ambição caricata, distorcida e usada por universitários lacradores para nos acusar de egoísmo, mas aquela que leva indivíduos como Henry Ford a revolucionar toda a indústria automobilística; Bill Gates a criar sistemas que tornam nosso mundo mais fácil e assim por diante. O que esses justiceiros não sabem é que precisamos de homens e mulheres ambiciosos, virtuosos e sedentos por deixar suas marcas na história, haja vista que são eles que tornam nossa existência melhor: resolvem problemas, geram valor para a sociedade e lucram por consequência. A sociedade geralmente está sempre disposta a pagar por algo produzido por essas pessoas, mesmo que seja caro, pois conseguiram nos conquistar por suas virtudes.

Por outro lado, temos esse ambiente cheio de ‘universotários’ raivosos e justiceiros sociais, armados com suas línguas maledicentes, escondidos atrás de máscaras, enquanto tentam destruir a virtude e aquilo que a vida numa sociedade livre tem de melhor. Para eles, lucrar é um pecado capital, condenado veementemente pelo livro sagrado de seu profeta, Karl Marx. Eles odeiam a mentalidade burguesa e patriarcal que está impregnada na mentalidade até das pessoas mais simples. Que absurdo um pobre não querer ser acalentado pelas promessas impraticáveis do Estado de bem-estar, correndo, em vez disso, para os braços dos porcos capitalistas, em busca de recompensa pelo seu esforço ou por aquilo que possam gerar de valor.

Disso, chego à triste conclusão de que eles precisam mesmo de espaços seguros para poderem se reproduzir, pois aqui fora, no mundo real, maioria deles não duraria um segundo sequer. Daí vem a necessidade desesperada de lutar para que tudo continue sendo bancado por nós, os pagadores de impostos, coagidos pelos fiscais do Estado a entregar quase metade de tudo o que produzimos, para que se sustente o ecossistema parasitário. Argumentos não têm valor para essas pessoas, afinal, fatos não pagam seus salários, bolsas e outras benesses: melhor que a verdade continue sem ser dita, tocada ou, sequer, pensada, o mundo de 1984 de Orwell.

A nossa sorte é que cada vez mais pessoas estão percebendo que não existem monstros de fato na floresta, e que os verdadeiros monstros são aqueles que fingem estar protegendo-as no mundo.

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Revisado por Matheus Pacini

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