Yaron Brook

CIO do Ayn Rand Institute.

Escreve livros e artigos desde uma perspectiva objetivista.

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Três lições cruciais que Ayn Rand pode nos ensinar hoje


* Originalmente publicado em 2 de fevereiro de 2013 em Fox News.

1. Celebre a Atividade Empresarial

Hoje a atividade empresarial é o bode expiatório para praticamente todo o mal. Seja qual for o problema ou crise, os empresários “gananciosos” levam a culpa, e a solução sempre defendida são mais controles, regulamentação e impostos. Quando a crise financeira estourou em 2008, por exemplo, líderes republicanos correram para culpar os banqueiros “gananciosos”, não a política do governo. O presidente Obama intensificou essa perspectiva.

De acordo com Rand, essa é uma das piores injustiças da história. Empresários são os criadores de medicamentos, conservantes, sistemas de saneamento, sistemas de irrigação e milhões de outras inovações e dispositivos que facilitam a nossa vida, fornecendo um padrão de vida inimaginável para nossos antepassados. Segundo Rand, o empresário é o grande libertador que, em menos de um século e meio, liberou os homens da escravidão de suas necessidades físicas, livrando-os da terrível labuta de uma jornada de 18 horas de trabalho manual voltada exclusivamente à básica subsistência; da fome generalizada; das pestes; da desesperança estagnante em que a maior parte da humanidade estava afundada nos séculos pré-capitalistas.

Devemos celebrar a limitação do governo, e não acossar a atividade empresarial, a qual é parte essencial do que torna as nações prósperas.

2. Não peça desculpas pela busca do lucro

Por trás do ataque à atividade empresarial há um ataque contra os motivos que impulsionam os homens de negócios: a busca do lucro. O lucro como motivo, segue a lorota dos esquerdistas, leva os empresários a mentir, enganar e roubar para ganhar um dinheirinho, acabando com sua moral.

Basta recordar as críticas de Mitt Romney. Até mesmo seus adversários republicanos o criticaram, não por ter aprovado RomneyCare, mas por ter sido um homem de negócios em busca do lucro. Mas se a motivação de lucro é perigosa e imoral, como podemos tolerar o sistema de lucro?

Rand define essa condição com clareza. O lucro, ela afirma, é a insígnia da produção: você lucra quando produz algo de valor, algo que outros querem comprar porque torna a vida humana melhor, mais longa, mais fácil e mais agradável.

O capitalismo não é alimentado pelos Al Capones ou Bernie Madoffs desse mundo, que buscam obter dinheiro a qualquer custo. Ele é alimentado por pessoas que ganham dinheiro através da criação de riqueza. Essa é a natureza real do lucro: o desejo de ganhar recompensas através do empreendimento produtivo.

Essa, diz Rand, é o tipo de atitude dos que prosperam com respeito ao trabalho e à riqueza. O livre mercado exclui dos negócios os imediatistas e os parasitas improdutivos que não criam valor – e um governo capitalista prende predadores como Madoff que tentam enganar outros.

O capitalismo é bom, diz Rand, porque protege a habilidade de cada homem fazer o melhor de sua própria vida – e a intervenção governamental, que retira a riqueza e a liberdade desses homens, é moralmente errada.

3. Afaste-se de quem defende o “bem público”

Hoje o governo cresce à custa dos indivíduos: à custa de seus direitos, suas liberdades e suas riquezas. Os partidários do governo inchado sempre justificaram apelando para o “bem público”. Como os defensores do capitalismo têm respondido? Não através da contestação da noção de “bem público”. Em vez disso, aceitamos essa noção de “bem público” e tentamos persuadir as pessoas de que somente o capitalismo pode alcançá-lo.

Mas o argumento em favor do capitalismo, salienta Rand, não pode ser utilitarista, por ele servir ao “bem público”, ao “interesse coletivo” ou ao “bem-estar geral”. Todos esses slogans são perigosamente vagos: eles podem ter qualquer significado e, por isso, podem ser usados para “justificar” qualquer coisa. A verdadeira justificativa em prol do capitalismo é que ele é o único sistema baseado no direito inalienável do indivíduo para buscar sua própria vida, liberdade e felicidade.

A sociedade, observa Rand, não é uma entidade, mas um conjunto de indivíduos soberanos, e o valor político essencial que eles têm em comum é a liberdade.

Liberdade, salienta Rand, significa que os indivíduos podem exercer seus direitos livres de coerção e compulsão. Eles podem trabalhar para ter uma vida de sucesso para si mesmos, agindo conforme seu juízo independente, mantendo os frutos do seu trabalho e se relacionar com outros através de trocas voluntárias mutuamente benéficas. O papel do governo é proteger a sua liberdade, impedindo a iniciação de força física. O sistema econômico que surge quando o governo é limitado, bem como os direitos individuais são garantidos, é o capitalismo.

Para acabar com a expansão do Estado, você tem que se livrar de qualquer resquício da ideia de que o indivíduo existe para servir a algum propósito ou objetivo social. O capitalismo é um sistema enraizado na convicção de que cada indivíduo é um fim em si mesmo e tem o direito de existir para o seu próprio benefício.

A fórmula vencedora de Ayn Rand: conquistar a superioridade moral.

Se você quisesse resumir o que faz de Rand tão bem-sucedida, e o que ela pode nos ensinar hoje, considere o seguinte: o mercado livre deve assumir a superioridade moral.

Diz Rand: “devemos lutar pelo capitalismo, não como uma questão 'prática' e nem como uma questão econômica, mas, com o orgulho mais justo, como uma questão moral. Isso é o que o capitalismo merece, e nada menos o salvará”.

Mas como pode ser moral um sistema orientado pelo interesse próprio e pela busca do lucro? Esta é a questão que Rand responde em suas obras, e é a pergunta que tratamos em nosso livro, o best-seller nacional, “Free Market Revolution: How Ayn Rand's Ideas Cand End Big Government”.

Podemos limitar o governo ilimitado de hoje. Mas, para tal, precisamos montar uma defesa moral sem remorso da liberdade. O primeiro passo é munirmos do arsenal intelectual insuperável de Ayn Rand, e depois pregar em favor da liberdade.

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Traduzido por Lucas Azambuja.

Revisado por Matheus Pacini.

Publicado originalmente em Ayn Rand Institute.

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