Roberto Rachewsky



Para um liberal, a liberdade é um fim?


“Criar espantalhos” talvez seja uma das duas falácias mais utilizadas por quem quer defender suas ideias a qualquer preço; a outra é a falácia chamada de “ad hominem”, que nada mais é do que a tentativa de desprestigiar o opositor com ofensas pessoais quando os argumentos escasseiam.

A primeira é muito usada por charlatões por ser de mais difícil detecção pelos incautos.

A segunda é muito usada nos comentários das redes sociais, onde a virtualidade gera nos participantes muita coragem para os impropérios, e pouca moderação no trato com os outros.

Uma conhecida falácia do espantalho é aquela que apresenta liberais como defensores da liberdade como um fim.

Por que essa ideia é uma falácia?

Porque liberais não defendem a liberdade como um fim, liberais defendem a liberdade como um direito político, um dos direitos individuais inalienáveis que deve ser institucionalizado e protegido pelo governo.

O direito à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade são direitos corolários do direito fundamental e primordial à vida.

O que seria a liberdade para um liberal?

Nada mais, nada menos, do que a ausência de coerção.

Há no mundo pessoas que não respeitam o direito à liberdade dos outros, que usam de força ou de fraude, ou seja, de coerção, para alcançar seus propósitos.

Há na história, casos incontáveis em que, através da coerção, sociedades inteiras são utilizadas como meio para que seus dirigentes, aqueles que constituem o governo, atinjam seus propósitos pessoais.

Os liberais entendem que o único papel de um governo é identificar, processar, julgar e punir tais indivíduos violentos, segregando-os do convívio social por um tempo ou para sempre, dependendo da sua periculosidade e capacidade de adaptação.

Para os liberais, só há um fim que faz com que indivíduos convivam no contexto social, a busca da satisfação de seus próprios interesses, através do exercício da liberdade, ou seja, o exercício do direito à busca da felicidade, sem o uso de coerção contra ninguém.

Liberais não defendem a liberdade como bem último a ser alcançado. Liberais defendem a liberdade como o meio moralmente justificável através do qual os indivíduos atingirão seus propósitos, sem coerção, sem impedimentos, sem coação, sem compulsão.

Quando alguém esquece ou não sabe o que é liberdade, entendendo com isso que liberdade é fazer o que se quer, inclusive iniciando atos de coerção para atingir seus fins, não está usando a liberdade para satisfazer seus intentos, está usando de coerção, o exato oposto do que liberdade significa.

Liberdade e coerção são excludentes, onde há um, não há o outro.

Uma sociedade livre é aquela onde a coerção é banida do contexto social porque seus integrantes entendem que só a liberdade é capaz de proporcionar a realização de propósitos sem que alguém seja submetido a alguma forma de coerção.

Liberais não servem para espantalhos, a não ser na mente de quem propaga falácias para que seguidores fanáticos possam acreditar nos seus dogmas.

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Revisado por Matheus Pacini.

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