Yaron Brook

CIO do Ayn Rand Institute.

Escreve livros e artigos desde uma perspectiva objetivista.

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O capitalismo não criou a pobreza: ele a herdou


O século XIX, muitas pessoas acreditam, foi uma era na história americana em que os trabalhadores eram forçados a trabalhar pesado em “fábricas de suor”, 28 horas por dia, recebendo salários de fome. Foi somente quando os governos interviram - de forma direta, em nome dos trabalhadores, ou indiretamente, pelo fortalecimento dos sindicatos - que as condições melhoraram.

Os fatos contam uma história diferente, que revela o poder incomparável do capitalismo para melhorar a vida humana.

Lembre-se do contexto histórico. Como Ayn Rand observou, “o capitalismo não criou a pobreza: ele a herdou”. Por grande parte da história humana, a vasta maioria da população estava mergulhada na pobreza. Com muita frequência, o cidadão médio vivia em condição inimaginavelmente miserável. Foi somente no século XIX, no Ocidente, que as massas começaram a desfrutar a prosperidade.

Tenha isso em mente ao refletir sobre as condições de vida e de trabalho durante o século XIX, pois é verdade – pelos padrões atuais, as condições de vida e de trabalho da época eram, de fato, deploráveis. Mas, pelos padrões anteriores ao século XIX, elas não eram. Para homens e mulheres do século XIX, sim, eram oportunidades valiosas.

Além disso, lembre-se de que a população da época crescia a uma taxa nunca vista antes na história humana – tão rápida que até Malthus, um dos primeiros economistas, temia não ser sustentável. Como o Ocidente tornou-a sustentável? Somente por meio da produtividade crescente que foi possível pelo capitalismo. Muitos dos trabalhadores dessas fábricas não teriam sobrevivido em uma era pré-capitalista.

Com efeito, dois fatos básicos falam mais alto do que qualquer estudo estatístico. Primeiro, os proprietários das fábricas não tinham o poder de forçar as pessoas a trabalharem em suas fábricas: o que podiam fazer era oferecê-las trabalho a um salário X, proposta que poderia ser livremente aceita ou rejeitada. Segundo, as pessoas lutavam por esses empregos, emigrando do interior ou do exterior para as cidades americanas.

Como, então, as condições laborais melhoraram? Assim como os empresários tinham que competir por clientes, oferecendo produtos melhores com preços baixos, eles também tinham que competir por trabalhadores, oferecendo salários melhores e condições de trabalho adequadas. Esse processo de concorrência levou os empresários a aumentar os salários de modo a refletir a produtividade dos trabalhadores: quanto mais produtivos os trabalhadores se tornavam, maiores os seus salários tendiam a ser.

Como resultado da produtividade crescente daquela era, as estatísticas mostram aumento constante dos salários e redução constante de horas de trabalho – muito antes de o governo intervir para “proteger” os trabalhadores. Os salários reais mais que triplicaram no decurso do século XIX.

Em 1870, de acordo com uma pesquisa realizada por Michael Cox e Richard Alm, a jornada de trabalho do trabalhador médio era de 3069 horas/ano. Com o aumento de sua produtividade, todavia, em 1913, ele poderia desfrutar de uma jornada de 2632 horas/ano. Ou considere quanto mais fácil era receber o valor necessário para a compra de 0,5L de leite (56 minutos em 1900; 31 minutos em 1930) ou 100 quilowatts/hora de eletricidade (107 horas em 1900, mas somente 11 horas em 1930).

O que dizer do trabalho infantil? O capitalismo do século XIX não sentenciou crianças a trabalhos forçados? O trabalho infantil, apesar do que é dito por aí, não foi criado pelo capitalismo. É uma prática que remonta à pré-história, quando as crianças passavam horas labutando no sol escaldante ou na chuva gelada, sob o risco de doenças, lesões ou morte, tão logo aprendiam a caminhar.

Por que a maioria das crianças era obrigada a trabalhar antes do século XX? Seria porque seus pais eram sádicos, e os governos, cruéis? Dificilmente. Isto se deu porque, antes de o capitalismo nos enriquecer, as crianças tinham que trabalhar se quisessem sobreviver. Quando uma família vive com o equivalente a um dólar/dia, não há opção: se você pode trabalhar, você trabalha.

O que elimina o trabalho infantil não é um decreto governamental, mas o aumento do padrão de vida: seja durante o século XIX ou em países como a China, nos dias de hoje. Com o enriquecimento dos pais, uma das primeiras coisas que fazem é usar sua renda adicional para colocar suas crianças na escola.

Se o capitalismo é o que causou o enriquecimento do Ocidente, então foi o capitalismo, não a intervenção governamental, que eliminou o trabalho infantil no mundo desenvolvido.

Não se trata de negar que os governos limitaram ou proibiram o trabalho infantil por lei. Mas como o trabalho infantil estava desaparecendo por conta própria, e as leis estavam longe de ser benignas. Ao afastar as crianças de fábricas mais novas e visíveis onde essas leis eram mais fáceis de cumprir, crianças famintas eram forçadas a buscar trabalho em fábricas menores, mais antigas e mais perigosas – ou, se falhassem nisso, como o economista Ludwig von Mises comentou, “infestariam o país como vagabundos, mendigos, ladrões ou prostitutas”.

Indubitavelmente, a vida durante os primeiros dias do capitalismo era difícil (como a vida sempre tinha sido), mas para qualquer pessoa disposta e capaz de trabalhar, a vida estava melhor que jamais tinha sido – e estava melhorando cada dia mais.

A lição para nossos tempos? Laissez-faire não nos empobrece, mas sim nos torna paulatinamente mais ricos.

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Tradução e revisão por Matheus Pacini.

Publicado originalmente na Forbes.

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