Marcus Parish



O capitalismo é moral?


O capitalismo é a ideologia que promove crescimento ilimitado. Além disso, é o sistema econômico mais moral em uso, com sua ênfase na liberdade e na ausência de coerção – mesmo em sua versão “mista”.

O Dr. Yaron Brook, ex-CEO do Ayn Rand Institute, apresenta diversos argumentos em defesa do capitalismo, remetendo-nos às obras de Ayn Rand. A maioria dos trabalhos de Rand defende o direito de os empresários agirem em seu autointeresse. Desse modo, a riqueza é criada a partir do fornecimento de um produto ou serviço que muitas pessoas querem e pelo qual estão dispostas a pagar. Além disso, a concorrência é um componente-chave de um sistema capitalista eficiente que fornece os melhores produtos e serviços possíveis, e ela deve ser discutida seriamente – a concorrência não é uma ferramenta de destruição de empreendimentos, como a mentalidade anticapitalista pode tê-lo convencido. Existe uma defesa moral do capitalismo – e ela deve ser divulgada para todos.

O capitalismo é o sistema mais produtivo e eficaz para o desenvolvimento econômico – até a esquerda sabe disso. A razão fundamental disso é o sistema de incentivos. Uma recompensa, seja ela monetária ou não, é a chave para encorajar os talentosos a criar mais riqueza. Isso não se aplica apenas a funcionários, mas também a executivos que são incentivados a melhorar seus negócios para avançar no mercado e receber retornos maiores. Brook afirma “quanto mais vidas você melhora, mais rico você se torna”. A concorrência, portanto, é o sangue do capitalismo, já que incentiva o aperfeiçoamento das empresas. Empresas competem por consumidores, sendo encorajadas a melhorar seus produtos e serviços a fim de atender as necessidades de seus consumidores potenciais. O Dr. Brook explica que esse autointeresse na busca de riqueza cria tanto valor para o consumidor quanto, em vários casos, como a Apple, cria novas tecnologias e inovações.

Não obstante, a sociedade atual continua a ver o autointeresse como imoral. Em seu livro A virtude do egoísmo, Ayn Rand sugere que temos que mudar nosso sistema ético. Os resultados benéficos do capitalismo e livre mercado são, contudo, inequívocos – quanto mais livre o mercado, maior a riqueza e o padrão de vida. Veja o caso América Latina: a Venezuela já foi a nação mais rica do continente e, hoje, por ter adotado o socialismo, é a mais miserável. Em contraste, o Chile cresceu e se tornou o país mais rico desde que adotou o capitalismo e implementou menos restrições ao mercado. Outros exemplos como Singapura, Coreia do Sul, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Taiwan – países que implementaram a liberdade econômica, mas cercados por nações que usam ideologias estatistas como a China. Parece que esses fatos empíricos são ignorados em favor de um código moral em que apenas os que sofrem merecem destaque. É tão maligno assim pensar em você em primeiro lugar? Por que o bem-estar de outra pessoa deve ser mais importante que o seu? Rand revoluciona a ética e, resgatando Aristóteles, crê que o florescimento de sua vida é a chave para a moralidade. Humanos distinguem-se de outros animais por sua habilidade de pensar e raciocinar - e Aristóteles, Rand e Brook acreditam que essa é a capacidade principal do ser humano. Para Rand, a moralidade nada mais é que o uso da mente racional para decidir o que é melhor para você mesmo.

Deve ficar claro que o autointeresse não significa não se importar com os outros; de diversas formas, as outras pessoas são incrivelmente importantes para nós. Fazer o que é melhor para si mesmo engloba tratar corretamente os outros – e assim você serve a si mesmo. Como afirma Brook, se você mentir aos seus amigos por uma semana, é possível que você não tenha mais amigos na semana seguinte. Se você é um CEO e decide mentir para os acionistas, você será demitido. Ao ser autointeressado (individualista) e se relacionar com outros indivíduos, você melhora a vida deles através de ações amigáveis, tal como a generosidade.

Se você segue esse modelo ético, dotado de justificativa lógica e racional, então o sistema em que você deve preferir viver não pode ser fortemente regulado pelo governo a nível individual, mas que respeita sua capacidade de pensar racionalmente. Socialismo e comunismo são baseados em um sistema moral de sofrimento, em que o que você fez e mereceu não é seu. Eles acabam com o incentivo para o trabalho e a produção de riqueza, para a inovação e a melhor da vida de todos, afinal, por que se esforçar se você sabe que, gradualmente, sua riqueza será taxada e tirada de você? Comunismo mata empresas e, sem empresas, a humanidade perece.

Quem se diz contra o capitalismo volta à mesma ideia de que o capitalismo cria desigualdade. Novamente, fatos empíricos são ignorados. Veja a Grã-Bretanha antes da Revolução Industrial, com sua população em situação miserável de pobreza com padrão de vida extremamente baixo. Tão logo o sistema começou a se desenvolver e as pessoas começaram a trabalhar por um salário, melhoraram sua vida. Frente a isso, negócios começaram a competir e inovar com uma rapidez incrível, jamais vista antes, gerando um ciclo virtuoso na sociedade. Socialistas acreditam que deveríamos dar assistência àqueles que mais precisam. Brook comenta que se você demanda que os pobres devam ser elevados artificialmente (através de assistencialismo) a um status de classe média, você está condenando-os a serem pobres para sempre. Como discutido, o segredo do capitalismo é o sistema de incentivos. Ganhar e criar são incentivos para agir de forma sensata. Contudo, se você ganha dinheiro que você não fez por merecer, você não tem nenhum incentivo para valorizá-lo como se você tivesse trabalhado por ele. Para saírem da pobreza, as pessoas precisam passar por essa evolução do salário mais básico até se tornarem inestimáveis para a empresa. O capitalismo é o único sistema na história humana que permite isso e resolve os problemas da pobreza.

Fica claro, então, que o capitalismo, ao contrário do comunismo e outros sistemas estatistas, é moral, e o fato de que isso não é entendido assim mostra que não é a nossa ideologia que precisa mudar, e sim nosso sistema de valores, nosso sistema ético. O capitalismo, através do autointeresse, cria riqueza, destrói pobreza e aumenta o bem-estar. Está claro então que o autointeresse não é uma imoralidade, e sim uma das maiores virtudes do homem.

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Publicado originalmente em The Galt Line.

Traduzido por Martina Trott.

Revisado por Matheus Pacini.

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