Keith Lockitch

Vice-presidente do área de Programas Educacionais do Ayn Rand Institute.

Escreveu diversos livros e artigos sobre temas como Objetivismo, ambientalismo, ciência e tecnologia.

Confira todos os artigos do autor no site do Ayn Rand Institute.



É hora de ler as obras de Ayn Rand?


Obs: esse texto foi originalmente publicado em 2012.

Se não agora, quando? Já há muito que Ayn Rand é aclamada por sua habilidade de prever tendências sociais, e tal admiração só aumenta à medida que o governo dos Estados Unidos cresce, e sua economia sofre, parecendo-se cada dia mais com a nação decadente descrita no romance A Revolta de Atlas, mais de 50 anos atrás. A sua influência no debate político atual é incontestável: mesmo que Paul Ryan - que distribuiu os livros de Rand à sua equipe, dizendo que ela inspirou sua carreira política - esteja se afastando ativamente da filosofia objetivista. E a parte II do filme A Revolta de Atlas estreia em 12 de outubro, prometendo atrair ainda mais atenção para Rand e suas ideias.

Não surpreende que, com toda essa atenção, apareçam milhares de autoridades e especialistas em Rand ansiosos por descrever a sua filosofia em poucas palavras. E é natural levar em conta essas análises rápidas no momento de decidir se os ensaios e livros dela valem a pena ser lidos.

Mas, tenha cuidado! Infelizmente, muitas dessas análises não fazem justiça ao seu pensamento.

É comum, por exemplo, ouvir que a filosofia objetivista é plutocrática – “dos ricos, pelos ricos e para os ricos”, disse Paul Krugman -, ou que favorece “os ricos” contra “os pobres”. Rand, todavia, rejeita tal categorização. A distinção real presente n´A Revolta de Atlas está entre indivíduos racionais e produtivos de todos os níveis de renda versus os irracionais e improdutivos, entre os quais ela inclui os executivos afeitos ao corporativismo.

Outros clamam que a defesa aberta de Rand ao egoísmo – ela até escreveu um livro chamado A Virtude do Egoísmo – é prova cabal de seu aval a uma predação cruel aos mais pobres, apesar de ela ter rejeitado explicitamente essa definição de egoísmo, oferecendo em seu lugar uma moralidade revolucionária que rejeita qualquer tipo de sacrifício – seja o sacrifício de A por B, mas também o de B por A. A definição randiana de “egoísmo” – em que “todo ser humano é um fim em si mesmo, não meio para os fins ou bem-estar dos outros” – defende que um indivíduo não pode alcançar a felicidade pessoal ao tratar os outros como mestres a serem servidos ou vítimas a serem exploradas. A ironia é que ela é acusada por articulistas desinformados sobre sua filosofia de apoiar precisamente a forma de “egoísmo” perverso que ela tão meticulosamente expos e rejeitou.

O mais estranho de todos é o ataque debochado de que Rand é ilegível. Isso apesar de legiões de fãs que apontam A Revolta de Atlas como uma obra empolgante, cuja leitura é rápida de modo a chegar ao desenlace do enredo. E mais, pessoas de todos os ramos de atividade – de executivos a assistentes administrativos – descrevem a leitura de A Revolta de Atlas como uma experiência transformadora. É por isso que as vendas do romance continuaram a crescer, década após década; e como, após 55 anos de sua publicação, continua a voar das prateleiras como se fora um best-seller recém-lançado – mais de 445.000 cópias só em 2011.

Então, se você não estiver familiarizado com a obra de Rand, seja cauteloso ao tomar pelo valor de face qualquer coisa que você lê ou ouve sobre suas ideias. (E o mesmo se aplica a esse artigo. Não acredite em mim. Se o que digo o intriga, leia a obra primeiro e depois tire suas próprias conclusões).

Lamentavelmente, isso também se aplica aos filmes inspirados na obra – tanto a Parte I, lançada em abril de 2011, como a Parte II (cuja estreia tive a chance de assistir em Hollywood). Se você pretendia só assistir aos filmes, temo dizer que eles não chegam aos pés do original. Eu não desprezo ninguém que tentou adaptar a complexa narrativa de Rand às telas, mas as partes I e II omitem a dramaticidade e a riqueza de detalhes do enredo original, ademais da complexidade das personagens, e a profundeza de suas ideias filosóficas.

É melhor preparar a pipoca e olhos à obra. Se você deseja entender as ideias de um dos mais importantes pensadores – e desfrutar uma tocante experiência literária – não há melhor hora para ler A Revolta de Atlas que agora.

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Tradução e revisão por Matheus Pacini.

Publicado originalmente na Ayn Rand Institute

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